Por Joanna Ferraz, Manager de Outsourcing da Wondercom
Vivemos numa era marcada pela busca incessante por eficiência, otimização de recursos e redução de custos. Neste contexto, o outsourcing — a externalização de serviços — tornou-se uma prática comum em inúmeras organizações. Seja em áreas técnicas, administrativas ou operacionais, recorrer a parceiros externos parece ser, muitas vezes, a solução ideal para responder às exigências do mercado.
Contudo, à medida que se consolidam modelos cada vez mais ágeis e flexíveis de prestação de serviços, levanta-se uma questão que permanece, por vezes, esquecida: qual é o lugar da pessoa neste processo?
É comum ver colaboradores altamente envolvidos com as atividades do quotidiano de uma empresa, mas formalmente ligados a uma entidade terceirizada. Na prática, estão no terreno, lado a lado com equipas internas, a partilhar responsabilidades e desafios. No entanto, emocional e institucionalmente, permanecem num limbo: pertencem, mas não são tratados como tal. São vistos como recursos, mas raramente reconhecidos como parte da cultura ou identidade organizacional da empresa que contratou o serviço.
E é aqui que mora o verdadeiro risco do outsourcing mal compreendido: a desumanização da relação laboral.
Não nos podemos esquecer que todas as organizações são feitas de pessoas. Não importa o modelo contratual — interno, externo, parcial, temporário — o que realmente sustenta uma empresa são os indivíduos que nela trabalham. E quando estas pessoas não se sentem valorizadas, incluídas ou sequer reconhecidas, o impacto é profundo: na motivação, no desempenho, na lealdade, na saúde emocional.
Ao contrário do que alguns possam pensar, valorizar um colaborador terceirizado não significa invadir a esfera de gestão da empresa prestadora de serviços. Significa, antes de mais, ter uma postura de respeito, inclusão e reconhecimento humano. Significa cumprimentar, ouvir, agradecer, dar feedback. Significa permitir que essa pessoa se sinta parte do propósito da empresa, mesmo que a relação contratual siga outro caminho.
Quando isso acontece, os resultados aparecem — e não apenas nos indicadores quantitativos. Há mais entusiasmo, mais compromisso, mais responsabilidade. E, acima de tudo, há dignidade. Porque ninguém gosta de ser tratado como um número. Todos querem ser vistos. Todos querem sentir que contam.
Se queremos organizações verdadeiramente sustentáveis, éticas e humanas, precisamos de começar por onde tudo se constrói: pelas pessoas. E isso inclui todos os profissionais que contribuem diariamente para o sucesso da empresa, independentemente da forma contratual que os liga à estrutura. Quando olhamos para cada colaborador com respeito, escuta e reconhecimento, críamos ambientes de trabalho mais saudáveis — e empresas mais fortes, alinhadas com os seus valores e preparadas para os desafios do futuro.




