A Casa da Música, o Guggenheim e os mortos-vivos

Opinião de Pedro Alvito, Professor de Política de Empresa na AESE Business School                

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Setembro 3, 2025
12:10

Por Pedro Alvito, Professor de Política de Empresa na AESE Business School                

Um amigo provocador lançou-me em fim de férias esta pergunta: “Porque é que Bilbau tem o Guggenheim e o Porto a Casa da Música?” A princípio achei que era mera brincadeira, sem qualquer razão de ser, e apeteceu-me responder-lhe que cada um tem aquilo que merece…

Depois lembrei-me que Lisboa também tem o CCB, mas como ele é um homem do Norte excluiu a capital da sua pergunta deixando antever uma certa defesa dos valores do regionalismo para justificar essas construções. Várias são as razões que se podem apontar para a decisão de avançar com estas construções, desde a muito salutar preocupação cultural, ao querer ocupar um espaço de notoriedade no panorama cultural nacional e até mundial. De facto, o caso de Bilbau é muito elucidativo a esse respeito pois, com essa construção sob projeto de Frank Gehry, o mundo virou a atenção para a até aí meio (para não dizer totalmente) esquecida cidade industrial de Bilbau.

Mas outras coisas pesam nesta decisão e uma delas é precisamente a de romper com o status urbanístico, criando polos de novidade que trarão no futuro outras construções com maior arrojo e diversidade, muitas vezes só possível com um projeto inicial deste nível. Na prática, é dar um sinal claro de que importa pensar longe, abrir horizontes, ambicionar o belo rompendo com o passado e abrindo novos rumos para o futuro.

E é aqui que temos todos que aprender. Será que temos a coragem de fazer isso nas nossas empresas? O status é uma coisa terrível, principalmente quando o seu principal argumento é que sempre se fez assim. E vamos “vivendo(?)” quais mortos-vivos, sem perceber que deixámos de sonhar e, por isso, deixámos de criar. Existem, infelizmente, várias empresas que sofrem deste mal, por incapacidade dos seus gestores, muitas vezes acompanhada da enorme pressão do dia a dia. Einstein dizia “Quem nunca cometeu um erro nunca tentou nada de novo” e infelizmente é a prática corrente de muito gestor, que prefere fugir da decisão e da novidade, e repetir o passado. Mas convém não esquecer a máxima da gestão que diz que o ato de não decidir é uma decisão em si mesmo.

Nada mais perigoso do que não sonhar e nada mais desafiante do que ter a coragem de tornar o sonho realidade. Esta é a tarefa de qualquer gestor e de qualquer pessoa na sua vida pessoal. “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, escrevia Fernando Pessoa, mas se não deixamos que o homem sonhe… o que acontece é que, de facto, cada um tem aquilo que merece. E, por isso, o Porto tem a Casa da Música e Bilbau o Guggenheim. Obrigado, Jorge, pela pergunta.

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