Oligarcas russos manifestam-se com cautela contra a guerra na Ucrânia

A maioria dos recentes apelos de paz dos oligarcas russos não faz menções diretas a Putin.

Executive Digest
Março 2, 2022
18:38

Na sequência da invasão na Ucrânia e a consequente rajada de sanções económicas contra a Rússia e alguns dos homens mais ricos do país, alguns oligarcas russos começam a manifestar-se publicamente contra o conflito, embora sempre de forma cautelosa e em muitos casos sem fazerem qualquer menção Vladimir Putin, informa a Associated Press.

Esta segunda-feira, Evgeny Lebedev publicou uma declaração na capa do Evening Standard, jornal que detém. “Presidente Putin, por favor pare esta guerra”, podia ler-se na capa do jornal. “Como um cidadão russo peço-lhe que impeça que os russos matem os seus irmãos e as suas irmãs ucranianos. Como cidadão britânico peço-lhe que salve a Europa da guerra”, escreveu o oligarca que é próximo de políticos britânicos, incluindo do primeiro-ministro Boris Johnson.

Outros três magnatas russos também fizeram apelos para o final da guerra. Oleg Deripaska, fundador da empresa Rusal e aliado de Putin, escreveu no Telegram que a “paz é muito importante” e que as negociações para acabar com o conflito deviam começar “o mais cedo possível”.

Oleg Tinkov, o fundador do Tinkoff Bank, afirmou esta segunda-feira numa publicação no Instagram que “pessoas inocentes estão a morrer na Ucrânia, todos os dias”, e considerou que esta é uma situação “impensável e inaceitável”.

Já o banqueiro multimilionário Mikhail Fridman, que nasceu na cidade ucraniana de Lviv, descreveu a guerra como uma “tragédia” que “deve ser travada o mais rapidamente possível”. No entanto, Fridman não se mostrou confortável para criticar diretamente Putin. “Centenas de milhares de pessoas trabalham para nós na Rússia. Eu não quero fazer comentários que podem aumentar o seu risco”, disse.

Antes destas reações, já tinha sido anunciado que Roman Abramovich, o dono do Chelsea e um dos oligarcas de perfil elevado que ainda não consta da lista de sanções, tinha mostrado a sua disponibilidade para ajudar a Rússia e a Ucrânia a chegarem a um acordo de paz.

“São passos muito cautelosos, mas ainda assim pode-se ver que eles já estão a pensar no futuro e a tentar salvar o que puderem”, afirmou à AP Elisabeth Schimpfössl, autora do livro ‘Rich Russians’.

No entanto, o poder destes oligarcas para mudar o rumo do conflito na Ucrânia é limitado. Não faltam casos de oligarcas russos que caíram em desgraça, tendo acabado detidos, exilados ou até mortos, após enfrentarem o presidente da Rússia.

Um desses casos foi o de Mikhail Khodorkovsky, um antigo barão do petróleo que passou uma década na prisão após um diferendo com Putin. “Acho que muitos oligarcas russos, incluindo Roman Abramovich, estão agora a tentar ser simpáticos para ambos os lados”, referiu à BBC. “Putin vai conduzir negociações de forma séria apenas quando compreender que está preso na Ucrânia”, antecipou Khodorkovsky.

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