Nos últimos anos, muitas empresas avançaram na integração de critérios de sustentabilidade nas suas estratégias, mas nem sempre estes aspetos são considerados no ciclo normal de planeamento empresarial.
Incentivar os gestores a tomar decisões alinhadas com a sustentabilidade tornou-se, assim, um elemento central de modelos de governação eficazes.
Um estudo da KPMG concluiu que, em 2024, 78% incorporavam métricas de sustentabilidade na remuneração dos membros do conselho de administração. Entre as empresas que detalham os objetivos utilizados, 88% alinham estes critérios com tópicos ESG (Environmental, Social and Governance) relevantes para o seu setor, embora existam diferenças significativas entre países.
Os objetivos ESG mais comuns estão relacionados com alterações climáticas e gestão da força de trabalho. No caso do clima, referem-se sobretudo à redução de emissões de gases com efeito de estufa, enquanto os indicadores ligados à força de trabalho incluem o empenho dos colaboradores, taxas de acidentes e representatividade feminina em cargos de gestão.
O estudo revela ainda que, entre as 274 empresas que medem o desempenho da administração com base em objetivos de sustentabilidade, 37% incluem estes critérios em incentivos de curto e longo prazo, 23% apenas em incentivos de longo prazo e 40% apenas em incentivos de curto prazo. A utilização de métricas de longo prazo é mais frequente nos países da União Europeia.
Recomendações da KPMG
O relatório identifica quatro boas práticas para integrar os indicadores de sustentabilidade na remuneração do conselho de administração:
- Escolha de indicadores estratégicos: Os KPIs de sustentabilidade devem estar ligados à estratégia da empresa e focar-se em aspetos críticos para o desenvolvimento sustentável do negócio.
- Dados relevantes e fiáveis: A remuneração deve basear-se num pequeno conjunto de indicadores controláveis e monitorizados regularmente, mesmo que inicialmente se foque apenas nos elementos mais decisivos.
- Definição de quotas no sistema de remuneração: É essencial determinar a percentagem de remuneração variável associada a objetivos de sustentabilidade, tanto a curto como a longo prazo, ajustando-os ao perfil de cada executivo.
- Transparência e fiabilidade: A divulgação pública e auditorias externas garantem que os dados ESG ligados à remuneração são fiáveis, reforçando a confiança dos investidores.
O estudo baseia-se em informações publicamente disponíveis e confirma tendências observadas anteriormente em relatórios realizados nos Países Baixos, Alemanha, Suécia e Reino Unido, reforçando a crescente importância da sustentabilidade como critério de decisão na governação corporativa.














