O drama da habitação

Opinião de Jorge Rebelo de Almeida, Presidente do Grupo Vila Galé

Jorge Rebelo de AlmeidaJorge Rebelo de AlmeidaPresidente do Grupo Vila GaléVer todos os artigos
Jorge Rebelo de Almeida
Jorge Rebelo de AlmeidaPresidente do Grupo Vila GaléNovembro 5, 2026 12:19

O problema da habitação de gravidade indiscutível ficou esquecido nas gavetas durante largos anos e por sucessivos governos.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Não estando na agenda mediática até parecia que não havia problema e o prolema foi crescendo até à situação de emergência que hoje se regista.

Para ultrapassar esta situação a primeira regra é reconhecer a gravidade do problema e todos os riscos que o mesmo envolve – podemos voltar a ter barracas se não criarmos soluções e a pressão continuar a aumentar.

Não interessa procurar culpados e inimigos para justificar o drama e tapar o sol com a peneira, os culpados não são os senhorios nem a lei das rendas.

Culpados somos todos nós e a nós cabe resolver o problema. A sociedade civil tem de fazer pressão e exigir soluções reais e concretas.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

O que interessa é mobilizar os esforços conjuntos de todos os intervenientes no processo sem excluir ninguém, atraindo e incentivando e só no limite penalizando.

 

A solução básica passa por segmentar o problema:

  1. As casas e apartamentos topo de gama para os clientes nacionais e estrangeiros que procuram o luxo não são o problema e devem ser construídas pois são um excelente negócio para o país, atraindo investidores de alto poder económico.

Destinam-se a clientes com elevado poder aquisitivo que é importante atrair para Portugal: valorizam o destino turístico e residencial e atraem riqueza para o país, pois vão gerar maior consumo no país e alimentar o segmento luxo, que é também uma forma de promover o país.

Não são estas casas que vão agravar a oferta de casas para os segmentos médio e baixo, nem retirar capacidade construtiva.

Continue a ler após a publicidade

Este mercado é para ser desenvolvido exclusivamente pelo sector privado em paralelo com o desenvolvimento dos outros segmentos e não precisa de incentivo do erário público.

  1. O segmento baixo inclui jovens e idosos e pessoas em geral com muito baixo poder aquisitivo, quer para comprar, quer para arrendar.

Este segmento tem de ser resolvido no essencial pelo Setor Público.

Com efeito, cabe à Administração Pública Central, Local e Regional, Autarquias e Organismos Específicos (IHRU), Instituições de Solidariedade, resolver este gravíssimo problema, ainda que com recurso à iniciativa privada em regime de parcerias público privadas ou por contratação do setor privado no regime de conceção / construção.

Cabe ao poder público suprir as carências dos mais desfavorecidos em matéria de habitação, aliás, em cumprimento do normativo constitucional.

A este segmento pode ser aplicável o regime de arrendamento e propriedade resolúvel ao fim de 25 anos do pagamento de renda e o Estado liberta-se da conservação e manutenção.

Continue a ler após a publicidade

Nos bairros sociais para este segmento, é fundamental manter uma fiscalização cuidada da conservação e manutenção das casas e exigir o pagamento das rendas limitadas.

  1. Por fim temos,

O segmento médio, onde a situação é hoje também gritante, pois a classe média tem vindo a perder condições para adquirir ou arrendar casa face ao disparo explosivo dos valores destes ativos em contraponto com a reduzida evolução dos salários.

A solução deste problema deveria passar no essencial pelo setor privado e parecerias público privadas, mas com apoios e incentivos públicos desde logo disponibilizando o terreno a preços acessíveis e bonificando o crédito à construção e à compra.

Sem prejuízo do setor público poder também intervir como Regulador deste mercado, construindo soluções a preço económico acessível à classe média.

Os incentivos poderão ser crédito bonificado à Banca para a construção e para aquisição pelos compradores. Todo o processo é conduzido pela Banca que recebe uma bonificação pública.

Vamos todos levar a sério este plano de emergência de habitação evitando destabilização social desnecessária, mas que já se regista e está em crescimento e de riscos incontroláveis.

Continue a ler após a publicidade

 

FUNDAMENTAL É CONSTRUIR

aumentando a oferta disponível a preços acessíveis controlando a especulação, e se possível:

Melhor;

Mais rápido;

Mais eficiência;

Continue a ler após a publicidade

com recursos às soluções Pré-Fabricados;

para baixar o custo de construir, mas, sobretudo, é preciso dar espaço à iniciativa privada para poder empreender livremente agilizando os procedimentos.

 

Desde logo duas prioridades:

  1. É preciso baixar o preço dos terrenos, situação que constitui seguramente o principal gargalo em todo este problema.

Todo o processo inicia-se com a procura de terrenos em áreas que reúnam condições para construir habitação com boas acessibilidades e infraestruturas.

Para evitar a especulação e agilizar o processo, é indispensável que estes terrenos sejam expropriados e em que o Estado tome posse administrativa do terreno e o preço será pago à posteriori no processo judicial sem prejuízo de uma tentativa de acordo com os proprietários (evitando conflitualidades).

Nesta fase deve organizar-se uma revisão geral das áreas agrícolas e área de REN.

Continue a ler após a publicidade

Como é sabido, estas áreas foram definidas à pressa e sem grande rigor e seguramente excessivas.

Estamos muitas vezes perante terrenos que nunca foram agrícolas, não são nem nunca serão agrícolas.

O interesse público de emergência justifica esta retirada de terrenos da reserva agrícola ou ecológica em situações bem ponderadas e justificadas e apenas para construção de casas nos segmentos baixo e médio.

Este levantamento reveste carácter de emergência. E para o efeito, é necessária a criação de uma comissão multidisciplinar com gente com larga experiência jurídica técnica e financeira e criar um Gabinete Jurídico com competência para resolver estes processos com a maior celeridade.

 

  1. A segunda prioridade é agilizar o gravíssimo problema dos licenciamentos.

Sempre foram um constrangimento sério ao desenvolvimento económico (talvez o maior).

Hoje a situação está pior que nunca. Há um receio generalizado e justificado de aprovar projetos (“É-se preso por ter cão e por não ter”).

É bem mais fácil indeferir do que aprovar.

Continue a ler após a publicidade

A prioridade dos autarcas deveria ser organizar os serviços com regras claras, transparentes e eficazes para agilizar os licenciamentos.

Nem todos os pedidos têm de ser deferidos, mas todos merecem uma resposta rápida e fundamentada, positiva ou negativa.

A administração pública tem de confiar nos empresários, nos cidadãos e nos técnicos em geral e penalizar severamente os infratores.

Criação da figura do gestor de projeto, designado pela Administração Publica para agilizar os processos e gerar consensos entre todos os órgãos e serviços que tutelem esta área com eficácia e celeridade.

Revisão da legislação sobre esta matéria para o agilizar e simplificar.

 

Medidas a aplicar de imediato:

– Penalização com agravamento do IMI em 30% em todos os terrenos e prédios desocupados sem justificação aceitável (definir critério) salvaguardando a residência para férias.

– Em qualquer dos casos repete-se que hoje o fundamental é aumentar a oferta para normalizar o mercado e, para isso, é preciso:

 

CONSTRUIR MAIS E MELHOR

recorrendo às novas tecnologias, pré-fabricação total ou parcial e:

– TASKFORCE para despachar todos os processos pendentes de decisão que inundam os serviços do Estado e das Autarquias.

– Criação de um Conselho Decisivo de Emergência que reúna em conjunto todos os intervenientes, que devem vir preparados para decidir, evitando a troca de correspondência que enrola sem decidir.

– Criação de um sistema de informação sobre todas as áreas de terrenos que permita uma consulta fácil e objetiva sobre as condicionantes, limites e regras aplicáveis para viabilizar soluções eficazes (copiar sistema de Orlando, nos EUA, em que qualquer cidadão sem experiência pode ter acesso a uma completa e transparente informação sobre o potencial construtivo dos terrenos e sobre todas as obrigações e constrangimentos a que os mesmos estão sujeitos).

– Fomentar o fim da prática de criar dificuldades para vender facilidades.

– Criar soluções de propriedade resolúvel ao fim de 25 anos de pagamento de renda.

– Criar medidas rígidas para conservação e manutenção dos bairros sociais e cobrar as rendas baixas com rigor e eficácia para evitar abandalhamento, salvo justificação plausível.

– Incentivos às empresas para construírem casas para o seu pessoal, em regime de arrendamento ou compra e venda por preços controlados.

O incentivo poder ser redução da taxa de IRC, cedência de terrenos a preços acessíveis, redução de IVA, etc.

O sistema fiscal deve servir para premiar quem prossegue fins de interesse público e responsabilidade social.

– Fomentar as Cooperativas de Habitação que tiveram êxito em alguns períodos e corrigindo os defeitos do sistema.

– Criar modelos de negócio em que um grupo de pessoas contrata uma construtora para realizar um prédio coletivo em propriedade horizontal a preços controlados, com uma remuneração de 10% sobre os custos.

– Criar linhas bonificadas e de longo prazo de crédito para habitação.

– Combate eficaz à informalidade nos contratos de arrendamento.

– Recuperar património histórico nos centros das cidades e destiná-lo a habitação para jovens, como tem sido feito no concelho de Oeiras.

– Criação de soluções de realizar projetos no regime de concepção/construção.

– Mobilizar e envolver os Bancos, Fundos de Investimento, autarquias neste plano de emergência.

– Criar incentivos para os Senhorios apostarem no arrendamento.

– Considerando que hoje muita gente com as novas tecnologias pode trabalhar em casa, fora dos centros, é hoje uma ótima oportunidade para construir no interior casas a preços atrativos.

– Esta crise da habitação é uma oportunidade para fomentar o desenvolvimento do interior do país de que muito se fala e pouco ou nada se faz, com o fomento e incentivo à mudança das empresas para o Interior.

Criando escolas internacionais para atrair estudantes estrangeiros.

– A nível turístico, a Vila Galé tem vindo a apostar em projetos de alto nível e recuperação de património histórico no interior.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.