Vida rural, natureza e trabalho remoto: o novo mapa do nomadismo digital em Portugal

Portugal consolida-se como um dos destinos europeus favoritos dos nómadas digitais, impulsionado por boa conectividade, custo de vida acessível, segurança, qualidade de vida e um quadro legal e fiscal atrativo.

Fábio Carvalho da Silva e André Mendes
Agosto 26, 2025
12:58

Portugal consolida-se como um dos destinos europeus favoritos dos nómadas digitais, impulsionado por boa conectividade, custo de vida acessível, segurança, qualidade de vida e um quadro legal e fiscal atrativo.

Segundo o Global Digital Nomad Report 2024, Portugal ocupa a 7.ª posição no ranking mundial de destinos para trabalhadores remotos, destacando-se no âmbito dos benefícios do visto D8 (3.º lugar) e da qualidade de vida (9.º lugar). Lisboa alberga atualmente mais de 16.000 nómadas digitais e, em 2023, foram emitidos cerca de 2.500 vistos D8, que permitem contabilizar o tempo em território nacional para a residência permanente e eventual cidadania.

Se as grandes cidades e zonas costeiras, como Lisboa, Porto ou Ericeira, continuam a ser pontos de referência, cresce o interesse pelo interior do país. Os nómadas digitais procuram agora regiões rurais em busca de uma vida mais acessível e sustentável, impulsionando o que alguns especialistas chamam de “êxodo rural digital”.

“A vida em harmonia com a natureza pode ser tão prática quanto inspiradora e o crescente interesse por ambientes naturais reflete os valores que muitos trabalhadores remotos procuram: sustentabilidade, sentido de comunidade, bem-estar mental e conexão com a natureza”, afirma Samuel Delesque, empreendedor tecnológico e cofundador da Traditional Dream Factory (TDF), um projeto regenerativo pioneiro na Europa, localizado em Abela, no concelho de Santiago do Cacém, Alentejo.

A TDF é uma ecovila tecnológica e colaborativa instalada numa antiga unidade avícola, concebida para integrar coworking, coliving e atividades regenerativas. Com mais de 3.000 visitantes internacionais, a iniciativa oferece alojamentos glamping, caravanas, sauna, oficinas artísticas, espaços de trabalho e está a desenvolver suites privadas, casas de madeira, piscina biológica e estúdios para artistas.

O projeto funciona como uma DAO (organização autónoma descentralizada) e é financiado pelo seu próprio token, o $TDF, que dá acesso às instalações e incentiva a participação coletiva. Paralelamente, promove ações ecológicas como a plantação de mais de 4.000 árvores e a criação de zonas de retenção de água da chuva.

“Estamos a construir um lugar para viver, trabalhar e aprender em comunidade, com uma economia própria e um forte enraizamento na terra e na comunidade local”, explica Samuel Delesque. “Aqui regeneramos o solo, cultivamos os nossos alimentos e partilhamos conhecimento, tudo ancorado em valores que realmente fazem a diferença”.

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