Portugal, em particular os distritos de Lisboa, Santarém, Beja, Portalegre ou Faro, tem sido fortemente afetado, na semana passada e no início desta semana, pelo mau tempo, com forte e intensa precipitação, ventos fortes e ondulação, que causaram um rasto de destruição, cheias e inundações.
Quanto à tempestade desta terça-feira, tudo começou com nuvens densas, surgidas na atmosfera entre os Açores e a Madeira, que depois se concentraram sob Portugal, em particular na região de Lisboa, numa gigantesca nuvem que chegou a ter nove quilómetros de espessura, que originou as fortes chuvas da última noite e desta manhã.
Este fenómeno acontece devido a instabilidade da atmosfera, causada pela saturação de vapor de água. Portugal, nos últimos dias, tem estado na passagem de uma massa de ar dos trópicos que, depois de passar o oceano, vem ‘carregada’ de água. A massa de ar condensa-se em nuvens que ficam muito altas e que, quando estão no seu limite de capacidade, libertam muita chuva.
“Quanto maior a temperatura, mais capacidade tem para reter vapor de água sem a precipitar. O ar frio, assim que ganha um pouco de humidade, tem de a precipitar porque tem pouca capacidade de a reter”, explica ao Observador Jorge Ponte, meteorologista do IPMA, distinguindo o que acontece no norte da Europa, devido a uma massa de ar frio, do mau tempo que afeta Portugal ou Espanha.
Recorde de chuva em Lisboa
Segundo o IPMA, entre as 9h00 de segunda e as 9h00 de terça-feira, a estação meteorológica do IPMA no Jardim Botânico Tropical, em Belém, registou 120,3 milímetros de chuva por metro quadrado de área, o que será um recorde. Em 1967 registou-se 112,5 milímetros de chuva entre 25 e 26 de novembro, na Tapada da Ajuda, próximo do mesmo local, em Lisboa.
O IPMA já alertou, entretanto que, apesar do aviso já ter sido levantado para ‘verde’ em Portugal continental, o aviso amarelo regressa para o território nacional na quarta-feira, depois de um período de “relativa normalidade”.
Explicam os meteorologistas que isto acontece devido à convecção, o processo através do qual energia calorífica é transferida por um corpo que se desloca de um local para outro.
Já o fenómeno de segunda-feira à noite, deveu-se à “presença de uma depressão centrada a leste dos Açores”, que levou a junção de várias nuvens que se tinham formado em linha e que acabaram ‘unidas’ numa enorme massa de nuvens com nove quilómetros de espessura, 60 quilómetros de comprimento e 10 a 15 de largura.
Esta nuvem, segundo os meteorologistas, levou uma hora para atravessar todo o território de Portugal continental longitudinalmente e do sul para o norte do País, pelo que se explica que tenha chovido muito, durante muito tempo, sempre nas mesmas regiões. Foi como se uma ‘barreira’ de nuvens tivesse atravessado o nosso País, de baixo para cima.




