Um país de trabalhadores qualificados com salários mínimos: Este é o retrato da força laboral em Portugal

Portugal tem atualmente uma das mais elevadas taxas de emprego dos últimos 15 anos, mas quase um quarto dos trabalhadores aufere o salário mínimo nacional. O país destaca-se também por ter uma força de trabalho mais qualificada do que os próprios empregadores, sendo o Estado um dos principais motores do aumento do emprego nos últimos anos.

André Manuel Mendes
Maio 1, 2025
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Portugal tem atualmente uma das mais elevadas taxas de emprego dos últimos 15 anos, mas quase um quarto dos trabalhadores aufere o salário mínimo nacional. O país destaca-se também por ter uma força de trabalho mais qualificada do que os próprios empregadores, sendo o Estado um dos principais motores do aumento do emprego nos últimos anos.

Estas são algumas das conclusões do estudo realizado pela Pordata – base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que são hoje conhecidos, dia 1 de maio, Dia do Trabalhador.

 

Emprego em alta, mas salários continuam baixos

A taxa de emprego entre os 20 e os 64 anos atinge os 78,5%, colocando Portugal em 12.º lugar entre os 27 Estados-membros da UE. Este é o valor mais elevado desde 2009. Simultaneamente, Portugal está entre os países da UE com menor proporção de jovens “nem-nem” – que não estudam nem trabalham – com apenas 8,7%, abaixo da média europeia.

Contudo, os salários continuam a ser um dos principais desafios. O salário médio bruto em Portugal é o 9.º mais baixo da UE e 22,8% dos trabalhadores ganham apenas o salário mínimo. A percentagem é mais elevada entre mulheres (27,1%), jovens (36,1%), trabalhadores com menor escolaridade (32,9%) e estrangeiros (38%).

Em termos de poder de compra, Portugal foi ultrapassado por países como a Polónia, Lituânia e Roménia nos últimos 20 anos. Entre 2019 e 2023, embora o salário médio tenha aumentado 24%, os preços das habitações subiram 45%, tornando o custo de vida a maior preocupação dos portugueses, segundo o Eurobarómetro.

País salário médio ilíquido por trabalhador 2023
Bulgária 13.503 €
Hungria 16.895 €
Grécia 17.013 €
Roménia 17.739 €
Polónia 18.054 €
Eslováquia 19.001 €
Croácia 21.523 €
Letónia 22.293 €
Portugal 22.933 €
Chéquia 23.454 €
Estónia 24.899 €
Chipre 26.430 €
Lituânia 27.178 €
Malta 29.989 €
Espanha 32.587 €
Itália 32.749 €
Eslovénia 33.081 €
França 42.662 €
Suécia 44.619 €
Finlândia 48.391 €
Alemanha 50.998 €
Áustria 54.508 €
Bélgica 57.989 €
Irlanda 58.679 €
Dinamarca 67.604 €
Luxemburgo 81.064 €
Media UE27 37.863 €

Fonte: Eurostat, PORDATA

Links: Salário médio anual ajustado a tempo inteiro

 

Trabalhadores mais qualificados do que os patrões

Os dados da Pordata revelam que 35% dos trabalhadores por conta de outrem têm o ensino superior, face a apenas 28% dos empregadores. Portugal é, aliás, o país da UE com maior proporção de patrões com apenas o ensino básico ou sem escolaridade: 42%, muito acima da média europeia de 16%.

Nível de Ensino % de População empregada por escolaridade 2024
Ensino Superior 34%
Ensino Secundário 32%
Básico – 3.º Ciclo 17%
Básico – 2.º Ciclo 9%
Básico – 1.º Ciclo 7%
Sem escolaridade 1%

Fonte: INE, PORDATA.

Links: População empregada por sexo, grupo etário e nível de escolaridade | PORDATA

% Trabalhadores por conta própria como empregadores por nível de escolaridade completo mais elevado[1]
PAÍS Sem escolaridade ou com o ensino básico Ensino Secundário Ensino superior ou mais
Portugal 42% 30% 28%
Malta 34% 40% 26%
Espanha 32% 24% 43%
Itália 31% 50% 19%
Chipre 31% 33% 37%
Luxemburgo 22% 25% 52%
Países Baixos 16% 38% 46%
Dinamarca 13% 50% 37%
Grécia 13% 53% 34%
Suécia 13% 52% 35%
Bélgica 12% 40% 49%
Alemanha 11% 37% 51%
Finlândia 11% 53% 36%
Irlanda 9% 37% 51%
Estónia 9% 45% 46%
França 8% 40% 51%
Áustria 7% 36% 56%
Eslovénia 5% 62% 34%
Croácia 2% 70% 28%
Polónia 2% 53% 45%
Hungria 2% 59% 39%
Chéquia 2% 63% 35%
UE27 16% 43% 41%
sem dados para a Bulgária, Letónia, Lituânia, Roménia, Eslováquia

Fonte: Eurostat Link: Self-employment by sex, age and educational attainment level

[1] A soma pode não dar 100% por uma questão de arredondamentos

 

 

Administração Pública em crescimento

Nos últimos 10 anos, a Administração Pública registou um aumento de 90 mil funcionários, com um crescimento de 12% ao nível central e de 19% nas administrações regionais e locais.

Subsetor 2014 2023
Central 497 140 558 718
Regional e Local 148 501 176 900
Fundos da Segurança Social 10 722 10 755
Total 656 363 746 373

 

Pequenas empresas dominam em número, mas grandes empregam mais

As microempresas (com menos de 10 trabalhadores) representam 96% do tecido empresarial português, mas empregam apenas 44% da força de trabalho. As grandes empresas, por sua vez, cresceram 14% em número de trabalhadores nos últimos dois anos e são responsáveis por mais de um milhão de empregos.

As quatro maiores empresas em Portugal – nacionais ou estrangeiras – empregam 76 mil pessoas, geram um volume de negócios de cerca de 26 mil milhões de euros e representam 3% do Valor Acrescentado Bruto nacional. Municípios como Lisboa, Oeiras, Porto ou Palmela destacam-se pela forte presença destas empresas, enquanto localidades como Campo Maior ou Castro Verde evidenciam elevada dependência económica das suas maiores empregadoras.

Pessoal ao serviço, volume de negócios e valor acrescentado bruto das4 maiores empresas instaladas noPaís

Região 4 maiores empresas Pessoal ao serviço Volume de negócios VAB – Valor acrescentado Bruto
Portugal Quanto concentram (%) 1,6 4,8 2,6
Valor aproximado 76 mil pessoal 26 mil milhões de euros 4 mil milhões de euros
Municípios em destaque
Lisboa Quanto concentram (%) 7,8 19,6 10,6
Valor aproximado 60 mil pessoas 25 mil milhões de euros 3,8 mil milhões de euros
Oeiras Quanto concentram (%) 15,0 15,5 11,3
Valor aproximado 25 mil pessoas 5,5 mil milhões de euros 900 milhões de euros
Cascais Quanto concentram (%) 6,1 15,8 24,6
Valor aproximado 6 mil  pessoas 1,3 mil milhões de euros 800 milhões de euros
Porto Quanto concentram (%) 9,0 13,5 11,4
Valor aproximado 16 mil pessoas 3 mil milhões de euros 700 milhões de euros
Matosinhos Quanto concentram (%) 30,56 47,39 32,85
Valor aproximado 36 mil pessoas 7,5 mil milhões de euros 1,2 mil milhões de euros
Setúbal Quanto concentram (%) 9,1 50,0 21,7
Valor aproximado 3,7 mil pessoas 4 mil milhões de euros 300 milhões de euros
Palmela Quanto concentram (%) 24,99 57,87 41,58
Valor aproximado 8,5 mil pessoas 4 mil milhões de euros 570 milhões de euros
Campo Maior Quanto concentram (%) 66,6 80,2 82,2
Valor aproximado 3 mil pessoas 660 milhões de euros 120 milhões de euros
Castro Verde Quanto concentram (%) 52,0 85,7 90,0
Valor aproximado 1,5 mil pessoas 400 milhões de euros 160 milhões de euros
Vila Velha de Ródão Quanto concentram (%) 48,8 89,0 88,2
Valor aproximado 550 pessoas 315 milhões de euros 70 milhões de euros
Crato Quanto concentram (%) 19,6 84,4 59,1
Valor aproximado 540 pessoas 130 milhões de euros 10 milhões de euros

Fontes: INE, PORDATA

Links:

Indicador de concentração do pessoal ao serviço das quatro maiores empresas

Indicador de concentração do valor acrescentado bruto das quatro maiores

Indicador de concentração do volume de negócios das quatro maiores empresas

Pessoal ao serviço nas empresas por ramo de atividade

Volume de negócios das empresas por forma jurídica e ramo de atividade

Valor acrescentado bruto das empresas

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