Ser “bad boss” compensa? Personalidade maquiavélica faz CEOs ganharem mais (mesmo sem resultados)

Num ambiente corporativo altamente competitivo, ter um perfil estrategicamente manipulador pode ser mais do que uma vantagem — pode ser sinónimo de maiores rendimentos. Um estudo recente da Universidade da Flórida concluiu que os CEOs com traços de personalidade maquiavélicos tendem a ganhar mais do que os seus pares.

Executive Digest
Junho 28, 2025
13:00

Num ambiente corporativo altamente competitivo, ter um perfil estrategicamente manipulador pode ser mais do que uma vantagem — pode ser sinónimo de maiores rendimentos. Um estudo recente da Universidade da Flórida concluiu que os CEOs com traços de personalidade maquiavélicos tendem a ganhar mais do que os seus pares.

Publicado no Journal of Applied Psychology, o estudo foi conduzido por Aaron Hill, professor da Warrington College of Business, e baseia-se numa amostra de empresas cotadas no índice S&P 500. Ao contrário das abordagens tradicionais baseadas em autoavaliações, a equipa de investigadores recorreu a psicólogos clínicos treinados para analisarem vídeos públicos dos executivos e identificarem traços comportamentais associados ao maquiavelismo.

“O que descobrimos é que os CEOs com níveis elevados de maquiavelismo conseguem obter remunerações mais altas, mesmo quando o desempenho da empresa não justifica esse aumento”, explicou Hill à Newsweek.

Segundo os investigadores, esses líderes tendem a estruturar estrategicamente os salários — tanto os seus como os da restante equipa de gestão — de forma a maximizar os seus próprios ganhos. “Alguns oferecem aumentos a outros executivos da C-Suite para, em contrapartida, justificarem os seus próprios aumentos salariais”, acrescentou o académico.

O maquiavelismo, conceito inspirado nas ideias do pensador renascentista Nicolau Maquiavel, descreve uma personalidade centrada na manipulação, ambição e pragmatismo extremo. Esta característica faz parte da chamada “Tríade Negra” da psicologia, juntamente com o narcisismo e a psicopatia.

Embora frequentemente encarado de forma negativa, o estudo sugere que, em contextos de elevada pressão, como a liderança empresarial, estes traços podem ter efeitos ambíguos. Por um lado, representam riscos para a governança e ética empresarial; por outro, podem traduzir-se em decisões ousadas e eficazes.

“Não estamos a dizer que o maquiavelismo é bom ou mau por si só”, frisou Hill. “Mas é essencial que as empresas reconheçam como a personalidade dos seus líderes pode afetar decisões críticas, como a remuneração.”

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