Um antigo executivo da Meta, responsável por decisões políticas da empresa, confessou que a suspensão de Donald Trump no Facebook continua a atormentá-lo anos depois.
Nick Clegg, ex-vice-primeiro-ministro britânico e principal responsável por políticas públicas na Meta durante sete anos, disse ao ‘The Guardian’ que a decisão de banir Trump em janeiro de 2021, após as postagens relacionadas com a revolta no Capitólio, foi “muito, muito desconfortável”.
“Descobri que isso realmente pesou muito sobre mim e ainda pesa”, afirmou Clegg. Ele explicou o dilema: “Por um lado, as regras de conteúdo da empresa haviam sido violadas; por outro, é uma empresa privada a tomar uma decisão que afeta a esfera pública. E ele era o presidente cessante da democracia mais poderosa do mundo.”
A proibição, inicialmente temporária durante a transição presidencial, acabou por durar dois anos. Trump recuperou as suas contas no Facebook e no Instagram em 2023. Clegg defendeu a medida, argumentando que os eleitores merecem “ouvir o que os seus políticos estão a dizer — o bom, o mau e o feio”.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, justificou a suspensão original como uma gestão de crise em tempos extremos e mais tarde defendeu a reversão como uma questão de liberdade de expressão.
No seu novo livro, Como salvar a Internet, Nick Clegg alerta para os riscos do poder concentrado em grandes empresas de tecnologia e o impacto potencial da inteligência artificial, prevendo que “quando o poder se concentra em tão poucas mãos para um impacto social tão extenso, não acredito que essas empresas continuarão a ter permissão social para operar.”














