O número de trabalhadores por conta de outrem que recebem mais de 3.000 euros líquidos por mês atingiu um recorde histórico no final do quarto trimestre de 2024, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Com quase 92 mil empregados neste patamar salarial, o grupo cresceu 67% em relação ao mesmo período de 2023 e 262% desde o fim do programa de austeridade da troika, em 2014. Este crescimento representa a maior criação de empregos bem remunerados já registada pelo INE desde 2011, período em que esse segmento se mantinha estável em cerca de 30 mil pessoas, fez as contas o ‘DN’.
O crescimento salarial não se limitou apenas aos que ganham acima de 3.000 euros. O segundo escalão mais expressivo, composto por trabalhadores que recebem entre 2.500 e 3.000 euros líquidos, também viu um aumento significativo de 249% desde 2014 e de 71% apenas no último ano, atingindo agora 86 mil empregados. No mesmo período, o emprego total por conta de outrem cresceu 19,4%, sendo que em 2024 o aumento foi de apenas 0,3%, o que demonstra que os maiores avanços ocorreram nos patamares salariais mais elevados.
Vários fatores explicam esta tendência, incluindo políticas de alívio fiscal, sucessivos aumentos do salário mínimo e o crescimento de setores como turismo, imobiliário e finanças, que impulsionaram os rendimentos dos trabalhadores.
Apesar da melhoria dos rendimentos médios, metade dos trabalhadores portugueses ainda recebe menos de 890 euros brutos, segundo dados da Segurança Social divulgados pela CGTP.














