Mars e Nestle nomeadas em caso de exploração de trabalho infantil em fazendas de cacau

O grupo de defesa dos direitos humanos International Rights Advocates apresentou uma ação judicial coletiva federal, em nome de oito cidadãos do país africano do Mali, contra empresas de chocolate por alegada cumplicidade no tráfico e trabalho forçado.

Mara Tribuna
Fevereiro 15, 2021
12:47

O grupo de defesa dos direitos humanos International Rights Advocates (IRAdvocates) apresentou uma ação judicial coletiva federal, na sexta-feira, em nome de oito cidadãos do país africano do Mali contra empresas de chocolate por alegada cumplicidade no tráfico e trabalho forçado.

Os queixosos foram traficados como crianças e forçados a colher cacau na Costa do Marfim, o maior exportador e produtor, denunciou o IRAdvocates num comunicado citado pela agência Bloomberg. O caso baseia-se numa lei que permite às vítimas processar as empresas que participam num esquema que se aproveita do tráfico e do trabalho forçado.

A Nestle, Cargill e Mars estão entre as empresas nomeadas no processo, porque “beneficiam ao continuarem a lucrar com a venda de cacau barato colhido por crianças escravas”, disse o IRAdvocates numa declaração.

“Não comentamos nenhum possível litígio pendente”, reagiu a porta-voz da Mars, citada pela Bloomberg.

Já um porta-voz da Cargill disse que a empresa estava “ciente do processo e embora não pudesse comentar sobre especificidades do caso no momento, queria reforçar que não existe tolerância para o trabalho infantil na produção de cacau”.

Também um porta-voz da Nestlé afirmou que a empresa tem políticas explícitas contra o trabalho infantil e está a trabalhar para acabar com ele. O processo “não faz travar o objetivo comum de acabar com o trabalho infantil na indústria do cacau”.

As empresas multinacionais têm enfrentado dezenas de processos que as acusam de desempenharem um papel nas violações dos direitos humanos, nas infrações ambientais e nos abusos laborais.

Já no ano passado, o mesmo grupo de advogados tinha apresentado um processo em nome de seis ex-escravos infantis contra a Nestlé e a Cargill. O caso ainda está pendente.

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