O grupo de defesa dos direitos humanos International Rights Advocates (IRAdvocates) apresentou uma ação judicial coletiva federal, na sexta-feira, em nome de oito cidadãos do país africano do Mali contra empresas de chocolate por alegada cumplicidade no tráfico e trabalho forçado.
Os queixosos foram traficados como crianças e forçados a colher cacau na Costa do Marfim, o maior exportador e produtor, denunciou o IRAdvocates num comunicado citado pela agência Bloomberg. O caso baseia-se numa lei que permite às vítimas processar as empresas que participam num esquema que se aproveita do tráfico e do trabalho forçado.
A Nestle, Cargill e Mars estão entre as empresas nomeadas no processo, porque “beneficiam ao continuarem a lucrar com a venda de cacau barato colhido por crianças escravas”, disse o IRAdvocates numa declaração.
“Não comentamos nenhum possível litígio pendente”, reagiu a porta-voz da Mars, citada pela Bloomberg.
Já um porta-voz da Cargill disse que a empresa estava “ciente do processo e embora não pudesse comentar sobre especificidades do caso no momento, queria reforçar que não existe tolerância para o trabalho infantil na produção de cacau”.
Também um porta-voz da Nestlé afirmou que a empresa tem políticas explícitas contra o trabalho infantil e está a trabalhar para acabar com ele. O processo “não faz travar o objetivo comum de acabar com o trabalho infantil na indústria do cacau”.
As empresas multinacionais têm enfrentado dezenas de processos que as acusam de desempenharem um papel nas violações dos direitos humanos, nas infrações ambientais e nos abusos laborais.
Já no ano passado, o mesmo grupo de advogados tinha apresentado um processo em nome de seis ex-escravos infantis contra a Nestlé e a Cargill. O caso ainda está pendente.














