Os Países Baixos estão a tornar-se um caso de estudo sobre os impactos de uma semana de trabalho mais curta, com trabalhadores a reduzir discretamente suas horas sem grandes alardes internacionais.
Segundo dados do Eurostat, a média de horas semanais de trabalho para pessoas entre 20 e 64 anos é de apenas 32,1 horas, a menor da União Europeia. A prática de comprimir a carga horária de cinco para quatro dias tem-se tornado cada vez mais comum, de acordo com Bert Colijn, economista do banco ING: “A semana de trabalho de quatro dias se tornou muito, muito comum. Trabalho cinco dias e, às vezes, sou criticado por isso”, revela ao ‘Financial Times’.
A mudança começou nas décadas de 1980, 1990 e 2000, quando as mulheres passaram a integrar a força de trabalho em empregos de meio período, criando o que ficou conhecido como modelo de “um ganhador e meio”. Com o tempo, os homens também começaram a adotar jornadas mais curtas, sobretudo quando têm filhos pequenos.
Apesar da redução de horas, a economia do país mantém-se robusta. Dados da OCDE de 2024 indicam que 82% da população em idade ativa estava empregada. A produtividade por hora continua elevada, e o PIB per capita é um dos mais altos da UE.
No entanto, nem todos os desafios foram resolvidos. A igualdade de género ainda é limitada: apenas 27% dos gestores são mulheres, segundo relatório da OCDE de 2019. Além disso, setores como a educação enfrentam escassez de mão de obra, complicando o equilíbrio entre trabalho e vida familiar.




