As principais associações empresariais reconhecem a importância da anunciada Reforma do Estado, mas alertam para os obstáculos colocados pela atual configuração parlamentar.
Embora vejam margem de manobra para o Governo avançar em áreas como a modernização da administração pública, a simplificação de processos e o combate ao desperdício, defendem que será necessária vontade política firme e, sobretudo, um compromisso entre partidos que assegure a continuidade das reformas para além dos ciclos eleitorais.
Ao ‘Negócios’, Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, sublinha que muitas medidas podem ser tomadas sem passar pelo parlamento, desde que exista determinação do Governo. Já João Vieira Lopes, presidente da CCP, considera que não haverá uma reforma global, mas sim intervenções parcelares, advertindo que os resultados parlamentares serão díspares conforme as matérias. Por isso, defende pactos de regime que garantam estabilidade, lembrando o falhanço da reforma do IRC por falta de consenso político.
Mais cético quanto ao apoio da oposição, José Eduardo Carvalho, presidente da AIP, antevê forte resistência política e social, com partidos a aproveitarem qualquer mudança para marcar posição. Em contraste, Pedro Gingeira do Nascimento, da BRP, apela ao otimismo e à mobilização de uma visão comum: “A democracia é a arte de contagiar os outros com uma visão e negociar com a maioria, à esquerda e à direita, para aprovar as reformas mais importantes.”














