Conjugação de teorias da Física que explicam o universo sugere… que o tempo pode não existir

Gravidade quântica em loop propõe que o tecido do espaço e do tempo seja feito de uma rede de pedaços discretos extremamente pequenos, ou “loops” – e um dos aspetos notáveis ​​da gravidade quântica em loop é que parece eliminar completamente o tempo

Francisco Laranjeira
Abril 20, 2022
8:45

O tempo existe? A resposta a esta pergunta pode parecer óbvia: claro que sim! Basta olhar para um calendário ou um relógio. Mas, no entanto, os desenvolvimentos na física sugerem que a inexistência do tempo é uma possibilidade em aberto e que deve ser levada a sério, segundo revelou o site ‘The Conversation’. A ideia parece inverossímil mas sem grandes preocupações: mesmo que o tempo não exista, as nossas vidas vão continuar como sempre.

A física como ciência está em ‘crise’: no último século, duas teorias extremamente bem-sucedidas explicaram o universo – a relatividade geral e a mecânica quântica. Esta última descreve como as coisas funcional no mundo singular de partículas e suas interações. Já a relatividade geral ‘pinta’ o quadro geral da gravidade e como os objetos se movem. Ambas as teorias funcionam extremamente bem por si só, mas acredita-se que as duas entrem em conflito uma com a outra. Embora a natureza exata do conflito seja controversa, os cientistas geralmente concordam que ambas as teorias precisam de ser substituídas por uma nova teoria mais geral.

Os físicos querem produzir uma teoria da “gravidade quântica” que substitua a relatividade geral e a mecânica quântica, enquanto captura o extraordinário sucesso de ambas – a nova teoria seria capaz de explicar o quadro geral da gravidade a funcionar numa escala em miniatura das partículas.

No entanto, produzir a teoria da gravidade quântica é extraordinariamente difícil. Uma tentativa de superar o conflito foi a elaboração da teoria das cordas, que substituiu as partículas por cordas que vibram em até 11 dimensões. Mas esta teoria não está isenta de dificuldades: fornece uma variedade de modelos que descreve um universo amplo como o nosso mas não faz previsões claras que possam ser testadas em experiências para descobrir qual o modelo correto.

Nas décadas de 1980 e 1990, muitos físicos ficaram insatisfeitos com a teoria das cordas e criaram uma série de novas abordagens matemáticas para a gravidade quântica. Uma das mais proeminentes é a gravidade quântica em loop, que propõe que o tecido do espaço e do tempo seja feito de uma rede de pedaços discretos extremamente pequenos, ou “loops” – e um dos aspetos notáveis ​​da gravidade quântica em loop é que parece eliminar completamente o tempo.

Então, existe uma nova teoria física para explicar o universo e que essa teoria pode não apresentar o tempo. Supondo que possa estar correta? Depende do que queremos dizer com existir. As teorias da física não incluem mesas, cadeiras ou pessoas, e ainda assim aceitamos que existam mesas, cadeiras e pessoas. Porquê? Porque assumimos que tais coisas existem num nível mais alto do que o nível descrito pela física.

Mas, embora tenhamos uma boa noção de como uma mesa pode ser feita de partículas fundamentais, não temos ideia de como o tempo pode ser “feito de” algo mais fundamental. Dizer que o tempo não existe em qualquer nível é como dizer que não existem mesas.

As nossas vidas inteiras são construídas em torno do tempo – planeamos o futuro à luz do que sabemos do passado. Acreditamos ser agentes (entidades que podem fazer coisas) em parte porque podemos planear agir de uma maneira que trará mudanças no futuro.

Existe uma saída para a ‘confusão’: embora a física possa eliminar o tempo, parece deixar intacta a causa – o sentido em que uma coisa pode provocar outra.

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