Ex-presidente russo questiona: “Quem disse que a Ucrânia vai continuar a existir no mapa do mundo daqui a dois anos?”

Numa mensagem publicada esta quarta-feira na rede social Telegram, o ex-governante questionou um pedido ucraniano para receber importações de energia este inverno.

Simone Silva
Junho 15, 2022
9:22

O atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, e aliado de longa data de Vladimir Putin, deixou uma questão no ar, que ilustra o pensamento do Kremlin sobre a Ucrânia, avança o ‘The Guardian’.

Numa mensagem publicada esta quarta-feira na rede social Telegram, o também ex-presidente da Rússia respondeu à notícia de que Kiev estava a tentar garantir o abastecimento de gás natural liquefeito (GNL) para o próximo inverno através de um empréstimo dos Estados Unidos que a Ucrânia pretende saldar nos próximos dois anos.

“Só uma pergunta. Quem disse que a Ucrânia vai continuar a existir no mapa do mundo daqui a dois anos?”, questiona Medved em resposta ao referido pedido por parte da Ucrânia.

Dmitri Medvedev, chefe de Estado da Rússia entre 2008 e 2012, acrescentou ainda que para Washington é indiferente perder fundos com empréstimos à Ucrânia porque, frisa, “os Estados Unidos já investiram muito no projeto anti-Rússia”.

Na semana passada, Dmitri Medvedev afirmou que o “Ocidente” deseja a “morte da Rússia”. “Odeio (o ‘Ocidente’). São uns fracos”, afirmou o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia.

As declarações de Medvedev sobre o “desaparecimento” da Ucrânia são difundidas no mesmo dia em que o Exército da Rússia afirma ter destruído um paiol de munições fornecidas por países da NATO e que se encontravam no leste do território ucraniano.

Isto acontece também numa altura em que as tropas russas controlam cerca de 80% da cidade de Severodonetsk, no leste da Ucrânia, tendo destruído todas as três pontes que ligam a cidade ao exterior.

Cerca de 12 mil pessoas permanecem em Severodonetsk, que tinha 100 mil habitantes antes da invasão russa, e mais de 500 civis estão abrigados na fábrica de produtos químicos Azot, que está a ser atacada pelos russos.

O general russo Mikhail Mizintsev disse que um corredor humanitário será aberto esta quarta-feira para retirar civis da fábrica Azot, que informou que as pessoas deverão ser levadas para a cidade de Svatovo, 60 quilómetros a norte.

Nas últimas semanas, as forças russas tentaram capturar a área industrial de Donbass, no leste da Ucrânia, que faz fronteira com a Rússia e é composta pelas regiões de Lugansk e Donetsk.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reconheceu ontem, durante uma conferência de imprensa com jornalistas dinamarqueses, que a situação no Donbass está “muito difícil”, mas prometeu que as suas forças militares continuarão a lutar.

Ao anunciar a invasão da Ucrânia, considerada por Moscovo como uma “operação militar especial”, o Presidente russo, Vladimir Putin, disse que estava a responder a um pedido de ajuda das autoridades pó-russas de Donetsk e Lugansk.

A invasão destina-se também a “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia, segundo Putin.

A guerra na Ucrânia está em curso há mais de três meses, com um balanço por determinar, mas que diversas fontes, incluindo a ONU, admitem ser consideravelmente elevado.

A ONU confirmou a morte de mais de 4.200 civis desde o início da guerra, mas tem alertado que os números são substancialmente superiores por não ter acesso a muitas zonas da Ucrânia.

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