Durante décadas, a Alemanha foi considerada o motor económico da Europa, impulsionando o crescimento da região com a sua indústria robusta e um modelo baseado em energia barata e exportações de alto valor agregado. No entanto, esse paradigma está a desmoronar, levantando preocupações sobre o futuro económico do país.
O PIB per capita alemão caiu para 36.130 euros em 2024, um retrocesso a níveis de 2016, sem contar o ano atípico da pandemia. Desde 2019, enquanto o PIB da zona do euro cresceu 5% e o dos Estados Unidos 11%, a economia alemã permaneceu estagnada. Analistas do Goldman Sachs destacam que o PIB per capita da Alemanha é hoje 1,6% menor do que em 2019, refletindo uma estagnação sem precedentes em tempos de paz, revela o ‘elEconomista’.
A crise tem-se aprofundado, e os indicadores apontam para um terceiro ano consecutivo de contração económica em 2025, algo que não ocorria desde antes da reunificação alemã em 1990. O banco JP Morgan reduziu a sua previsão de crescimento para o próximo ano para zero, indicando que o rendimento per capita continuará em queda. Esse fenómeno ocorre num contexto em que a população do país segue em crescimento, impulsionada pela chegada de imigrantes.
A dependência da Alemanha da sua indústria exportadora, que representa mais de 50% do PIB, é um dos pontos centrais da crise. Desde 2018, a produção industrial caiu 15%, enquanto o setor da manufatura perdeu 3% dos empregos. O setor metálurgico e de produtos elétricos pode eliminar até 300.000 postos de trabalho nos próximos cinco anos. Adicionalmente, mais de 300 mil milhões de euros em capital de investimento deixaram o país desde 2021.
A crise energética, exacerbada pela guerra na Ucrânia, foi um dos principais catalisadores do colapso. A Alemanha, que dependia fortemente do gás russo, viu os preços da energia dispararem, afetando indústrias de alto consumo energético.
Outro fator crítico é a crescente concorrência da China. Durante anos, a Alemanha beneficiou da expansão económica chinesa, exportando produtos de alto valor acrescentado para o país asiático. No entanto, com o crescimento chinês a desacelerar e a emergência de uma indústria local altamente competitiva, a Alemanha perdeu espaço no mercado chinês. O setor automóvel – a “joia da coroa” da indústria alemã – enfrenta quedas na procura e pressão da concorrência dos fabricantes chineses de veículos elétricos.
O Instituto Peterson de Economia Internacional afirma que o modelo alemão está “morto”, refletindo o pessimismo crescente sobre o futuro económico do país. A associação da indústria alemã destacou que a crise vai além dos choques recentes e decorre de fraquezas estruturais não corrigidas desde 2018. Entre os problemas apontados estão a burocracia excessiva, a falta de investimento em infraestrutura moderna e a dificuldade das startups para crescer num ambiente altamente regulado.














