Nem o Ibuprofeno 600mg é melhor, nem o Omeprazol é um protetor de estômago. Conheça os mitos clássicos dos medicamentos

Existem mitos e crenças populares sobre medicamentos que estão tão enraizados, que são repetidos várias vezes nas farmácias, sem que os farmacêuticos possam fazer nada para contrariar. 

Simone Silva
Agosto 3, 2022
11:39

Existem mitos e crenças populares sobre medicamentos que estão tão enraizados, que são repetidos várias vezes nas farmácias, sem que os farmacêuticos possam fazer nada para contrariar.

Por esse motivo, o ‘El Mundo’ compilou uma lista de oito mitos clássicos, que envolvem os medicamentos que habitualmente compramos nas farmácias, sem a necessidade de receita médica.

Mito 1: “O Omeprazol é um protetor de estômago” 

Erro! O Omeprazol não é um protetor de estômago. Embora o costume de o utilizar em conjunto com anti-inflamatórios seja antigo, a verdade é que o famoso fármaco não gera nenhuma camada protetora como alguns acreditam.

O seu mecanismo de ação baseia-se na diminuição da produção de ácido e o seu uso em conjunto com anti-inflamatórios deve sempre ser avaliado pelo médico (normalmente é usado em caso de úlceras e outros problemas gástricos).

Mito 2: “Todos os antibióticos devem ser conservados no frigorífico”

Erro! É verdade que alguns antibióticos devem ser mantidos em baixas temperaturas no frigorífico, principalmente os que se apresentam na forma de pó e são reconstituídos com líquido, mas não são todos. A indicação consta nas instruções do medicamento.

Mito 3: “Nolotil com Coca-cola funciona mais rapidamente”

Erro! Embora seja uma convicção amplamente difundida, especialmente na América do Sul, até ao momento nenhum mecanismo de ação foi encontrado para sustentar tal afirmação. A propósito, importa recordar que o Nolotil (nome genérico metamizol) requer receita médica.

Mito 4: “O melhor para a tosse infantil é xarope com Codeína”

Erro! A Codeína é um opióide. Está autorizado para o tratamento de dores de intensidade ligeira ou moderada e tosse improdutiva, sempre sob prescrição médica.

Em 2013, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reviu a relação risco-benefício para o tratamento da tosse associada a gripes em crianças e decidiu que não era uma boa ideia usá-lo nem em menores de 12 anos nem em mulheres durante a lactação . Também não é recomendado o uso de codeína em pacientes de 12 a 18 anos que tenham problemas respiratórios.

Mito 5: “O Ibuprofeno 400mg não faz nada à dor de cabeça”

Erro! Estudos mostram que a dose de 400 mg é suficientemente eficaz no tratamento de dores ligeiras e moderadas. O uso de uma dose de 600mg não adicionaria nenhum benefício nesse tipo de dor e aumentaria a possibilidade de efeitos secundários. Se sofre de dores mais fortes, deve consultar o seu médico.

Mito 6: “Não há problema em tomar medicamentos fora do prazo”

Erro! Embora não seja comum que tomar medicamentos fora do prazo tenha efeitos tóxicos à saúde, o facto de ‘algo acontecer’ ou não vai depender do medicamento em questão.

Se ingerir acidentalmente um medicamento fora da validade para tratar algo menor como uma gripe ou dor de cabeça, não tem de se preocupar muito porque na pior das hipóteses não terá efeito nenhum. No entanto, se for um medicamento essencial para uma doença grave ou crónica, é aconselhável consultar o seu médico.

Mito 7: “Se perder uma dose, terá sempre que tomar outra”

Erro! Aqui o relógio joga contra e é importante esclarecer. Se passou pouco tempo, podemos tomar outra dose para recuperar a que foi perdida. Mas se não demorar muito para a próxima é aconselhável esperar.

O importante é deixar claro que não tem de duplicar a dose para compensar o erro. Em caso de dúvida, o que se aconselha é sempre consultar o médico ou farmacêutico de referência ou de confiança, pois a solução dependerá sempre do medicamento e da doença .

Por exemplo, no caso da pilula, se se esquecer nas primeiras 12 horas pode tomar e pronto. Mas se passaram mais de 12 horas, fazer uma coisa ou outra vai depender da semana do ciclo em que se encontra.

Mito 8: “Os medicamentos nunca devem ser tomados em jejum”

Erro! Embora seja uma recomendação muito correta para alguns medicamentos (como os gastro-lesivos, o ibuprofeno e outros), existem princípios ativos que devem ser tomados em jejum, como alguns antirretrovirais.

Alguns fármacos são mais ‘seletivos’ e não se dão bem com certos alimentos, causando efeitos indesejáveis. Por exemplo, comer abacate em conjunto com certos anticoagulantes pode reduzir a absorção e o efeito do medicamento. E vice-versa, o sumo de toranja pode aumentar a concentração sanguínea de inúmeros fármacos atingindo níveis tóxicos.

A interação de certos antibióticos, como o ciprofloxacino, com laticínios e sais de ferro também é conhecida, e a recomendação é espaçar a ingestão do medicamento e da alimentação em duas horas. Em caso de dúvida, consulte sempre o seu farmacêutico.

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