Nem a pandemia os vai apagar. Estes são os maiores escândalos nos negócios de 2020

Num ano normal, os mais perversos escândalos corporativos e as piores prevaricações executivas são impossíveis de esquecer, mas em 2020, ninguém se quer lembrar do que de pior aconteceu nesta matéria.

Simone Silva
Dezembro 28, 2020
13:42

Num ano dito ‘normal’, os mais perversos escândalos corporativos e as piores prevaricações executivas são impossíveis de esquecer, mas em 2020, ninguém se quer lembrar do que de pior aconteceu nesta matéria. Ainda assim, a ‘Fortune’ compilou uma lista dos acontecimentos que marcaram o mundo dos negócios este ano.

Camião de hidrogénio da Nikola
A short-seller Hindenburg Research afirmou em setembro que a Nikola e o seu CEO, Trevor Milton, tinham feito uma série de deturpações na sua tecnologia de hidrogénio, o que incluiu um vídeo promocional que pretendia mostrar um camião de carga operacional, mas na verdade tudo não passou de uma encenação.

A empresa, mais tarde, confirmou a situação mas argumentou que não havia qualquer engano porque o vídeo mostrava o veículo “em movimento” – tecnicamente verdadeiro, mesmo que a gravidade estivesse a fazer o trabalho por si em vez do hidrogénio. Independentemente do desfecho, Milton renunciou ao cargo de CEO.

Wirecard – o colapso
A saga Wirecard ofereceu escândalos ‘dois em um’. O ex-CEO, Markus Braun, começou por estar certo de que a empresa de serviços financeiros tinha 2,1 mil milhões de dólares mas a falência bateu à porta em junho, desencadeando uma investigação aos apressados empréstimos duvidosos que foram sendo feitos pouco antes e que resultariam também na perda de milhões para os investidores.

O escândalo paralelo é a falha de reguladores e auditores em detetar o desastre iminente, apesar de anos de sinais de alerta. Bruce Dorris, um ex-procurador que é presidente da Association of Certified Fraud Examiners, afirmou mesmo que “quando olhamos para a magnitude do que aconteceu, esta é a Enron da Alemanha”.

Falhas de segurança do Twitter
Na tarde de 15 de julho de 2020, uma série de contas do Twitter cada vez mais famosas, incluindo as de Elon Musk, Kim Kardashian e Barack Obama, deram sinais de uso indevido. O Twitter foi obrigado a desligar todos os tweets de contas verificadas enquanto corria para encontrar a falha de segurança.

Um adolescente na Flórida, Graham Ivan Clark, e alguns amigos conseguiram enganar um funcionário do Twitter pelo telefone, fazendo-o revelar as credenciais necessárias para redefinir senhas de contas e endereços de e-mail. Clark foi preso algumas semanas depois e aguarda julgamento.

O desafio ao bloqueio da Tesla
A empresa de automóveis elétricos Tesla superou amplamente as expectativas em 2020, começando com uma série de ganhos no primeiro trimestre em grande parte pré-Covid, e impulsionando-se até ao S&P 500. Mas a reação do CEO Elon Musk às medidas da Califórnia para conter a pandemia do coronavírus fez com que a sua empresa fosse envolvida numa polémica.

Os primeiros tiros foram disparados em abril, quando a Tesla tentou desafiar as ordens de bloqueio ordenando que os trabalhadores voltassem à fábrica de Fremont, mas foi impedida pelos funcionários do condado de Alameda. Dias depois, durante a declaração de lucros de abril daquele primeiro trimestre impressionante, Musk chocou uma audiência de investidores e analistas ao descrever as ordens de bloqueio da Califórnia como “fascistas”.

Escândalo sexual da McDonald’s
No final de 2019, o CEO do McDonald’s, Steve Easterbrook, foi demitido por trocar mensagens de cariz sexual com um subordinado, no que a empresa disse ser um relacionamento consensual. “Dado os valores da empresa, concordo com o conselho de que é altura de seguir em frente”, disse Easterbrook na altura, num e-mail aos funcionários.

Em agosto, a McDonald’s abriu um processo contra Easterbrook, alegando que teve relações sexuais físicas com três funcionárias da empresa no ano anterior à sua demissão e aprovou doações de ações no valor de centenas de milhares de dólares para uma dessas mulheres. A empresa também alegou que o responsável ocultou evidências durante a investigação inicial, apagando e-mails do seu telefone.

Wells Fargo

O Dia D foi a 8 de setembro de 2016, quando surgiu a notícia de que o banco tinha criado mais de dois milhões de contas falsas e pago 185 milhões de dólares em multas. Essa revelação fez com que em poucas semanas, os comités do Congresso realizassem audiências e o CEO, John Stumpf se reformasse abruptamente.

Em janeiro de 2020, Stumpf concordou em pagar uma multa de 17,5 milhões de dólares ao Gabinete do Controlador da Moeda pelo seu papel no escândalo, e o OCC pediu 37,5 milhões de dólares em multas de cinco outros ex-oficiais.

Em fevereiro a Wells Fargo anuiu em pagar 3 mil milhões de dólares para resolver as investigações criminais e civis federais do escândalo – uma quantia que era “apropriada dado o tamanho e duração surpreendentes da conduta ilícita da empresa”, disse o procurador dos EUA Andrew Murray.

eBay ao ataque
Em agosto de 2019, Ina e David Steiner, fundadores do blog de comércio on-line eCommerce Bytes, sofreram assédio de várias formas: objetos estranhamente ameaçadores enviados pelo correio para as suas casas, incluindo uma máscara de porco ensanguentada, aranhas e baratas vivas, pornografia.

O casal, de Natick, Massachusetts, relatou as ocorrências à polícia. Dois carros diferentes foram alugados por funcionários do eBay. Uma investigação criminal revelou animosidade interna contínua no eBay em relação ao casal, que às vezes criticavam o eBay no seu blog.

Os funcionários em questão deixaram a empresa em setembro de 2019. Em comunicado, a eBay disse “que, embora não tenham autorizado a campanha de assédio, as suas ‘comunicações inadequadas’ sobre o blog estavam entre ‘uma série de considerações que levaram à sua saída da empresa”.

Carlos Ghosn
A 29 de dezembro de 2019, Carlos Ghosn fugiu da sua casa em Tóquio (onde enfrentava acusações de má conduta financeira e estava em liberdade sob fiança). Mas foi só no início de janeiro que todos os detalhes sobre a fuga de Ghosn começaram a surgir na imprensa.

A viagem de comboio seria a primeira etapa da sua fuga para o Líbano, que parecia tirada de um filme de Hollywood. Ajudado por um ex-militar, o responsável escondeu-se numa caixa projetada para transportar equipamento de som e foi levado para um avião particular que voou para Istambul. Depois foi transferido para um avião menor que o levou até Beirute.

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