Viu um anúncio numa página de internet ou nas redes sociais com uma oferta imperdível e um investimento em criptoativos que lhe permitirá aumentar as suas poupanças de um dia para o outro?
Esteja alerta! É provável que se trate de uma fraude para o convencer a investir dinheiro em troca de retornos avultados que nunca chegam, alertou esta quarta-feira o Banco de Portugal.
Também é frequente burlões fazerem-se passar por representantes de entidades que alegadamente gerem investimentos em criptoativos ou que se disponibilizam para ajudar na recuperação de criptoativos supostamente detidos.
Os criptoativos ou ativos virtuais (por exemplo, Bitcoin, Ethereum, PAX Gold) são representações digitais de valores ou direitos que podem ser transferidos e armazenados eletronicamente.
Apesar de poderem ser usados para fazer pagamentos, não têm curso legal em Portugal, pelo que ninguém é obrigado a aceitar pagamentos em ativos virtuais.
Os ativos virtuais não são garantidos pelo Banco de Portugal nem por nenhuma outra autoridade nacional ou europeia.
A maior parte dos ativos virtuais está sujeita a enorme volatilidade. Em caso de desvalorização parcial ou total desses ativos, não existe um fundo que cubra eventuais perdas, pelo que são os utilizadores a suportar todo o risco associado às operações com estes instrumentos. Como tal, o detentor de ativos virtuais pode perder grande parte ou a totalidade do capital investido.
Como funciona?
#1 Divulgação dos investimentos através de anúncios, notícias e contactos nas redes sociais
Existem diversas páginas e plataformas online fraudulentas que promovem investimentos em criptoativos e garantem elevada rentabilidade, sem riscos associados.
Estas páginas e plataformas online são divulgadas através de anúncios na internet e nas redes sociais, de notícias aparentemente legítimas e de contactos diretos nas redes sociais.
Nestas divulgações são, muitas vezes, utilizadas abusivamente imagens de pessoas conhecidas do grande público (como personalidades do entretenimento, do desporto ou da política), que supostamente obtiveram grandes quantias com estes investimentos. Por vezes, as imagens, vídeos ou áudios com os testemunhos de sucesso são manipulados com recurso a inteligência artificial (deepfakes), não sendo possível, à partida, distingui-los de um testemunho real.
#2 Investimentos progressivos e acesso a informação sobre o seu investimento
Habitualmente, para que as possa utilizar, as supostas plataformas online de investimento solicitam o seu nome, endereço de e-mail e número de telemóvel.
Usando os seus contactos, tentam convencê-lo a transferir dinheiro para investimentos em criptoativos. Podem sugerir primeiro um investimento de baixo valor e fornecer-lhe informação sobre como a sua conta está a ser gerida e como o seu suposto investimento está a valorizar.
Com base neste aparente ganho financeiro, sugerem a realização de mais investimentos, com valores cada mais vez mais elevados, podendo atingir milhares de euros.
#3 Ausência de contacto e eliminação das plataformas
O investimento é uma fraude, e o seu dinheiro e os seus supostos ganhos nunca são entregues.
Caso solicite o levantamento do seu investimento, podem exigir-lhe o pagamento de “taxas” elevadas.
Invariavelmente, os burlões deixam de estar contactáveis, as plataformas online desaparecem, e o dinheiro investido nunca chega a ser devolvido. Muitas vezes, as plataformas são substituídas por outras, com nome, endereço e aspeto gráfico diferentes.
Como se pode proteger?
#1 Não tome decisões financeiras apenas com base em recomendações obtidas online
Adote uma atitude crítica em relação à informação obtida online, que pode ser enganosa e utilizar informação e testemunhos manipulados.
Não responda a mensagens não solicitadas e bloqueie ou denuncie o número de telemóvel/perfil.
Não partilhe dados pessoais com contactos online.
#2 Se uma oportunidade parecer demasiado boa para ser verdade, desconfie
Seja cauteloso perante ofertas irrecusáveis, com promessas de ganhos significativos e imediatos, pois, frequentemente, correspondem a situações de fraude.
Os criptoativos são muito utilizados em burlas por serem produtos complexos e que muitas pessoas não compreendem. Informe-se sobre os produtos que pretende contratar e esclareça todas as suas dúvidas.
#3 Certifique-se de que contrata produtos e serviços financeiros junto de entidades reais, confiáveis e estabilizadas no mercado
Desconfie se não encontrar uma morada, contactos telefónicos ou a informação legal sobre a entidade.
Tenha em consideração que grande parte das entidades que comercializam ativos virtuais não se encontra sediada em Portugal, pelo que uma eventual resolução de conflitos poderá estar fora da competência das autoridades nacionais.
Não há nenhum supervisor que verifique se estas entidades são sólidas e capazes de cumprir os seus compromissos a médio e a longo prazo. Nem nenhum supervisor que assegure que estas entidades informam corretamente os clientes sobre os serviços prestados e os riscos associados a estes investimentos.
Sem prejuízo, confirme se a entidade consta de alertas divulgados pelas autoridades de supervisão financeira, por não se encontrar autorizada a comercializar os produtos e serviços em causa, nomeadamente no site da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados.
O Banco de Portugal é a autoridade nacional competente para a supervisão das entidades que, a 30 de dezembro de 2024, se encontravam registadas e com início de atividade comunicada, exercem certas atividades com ativos virtuais em Portugal, mas apenas para fins de prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo. O Banco de Portugal não tem competências para fiscalizar se estas entidades são sólidas e se prestam todas as informações aos clientes.
E não se esqueça:
– Em caso de dúvida, não partilhe dados pessoais;
– Contacte imediatamente o seu banco ou outro prestador de serviços de pagamento se detetar, na sua conta, movimentos que não autorizou;
– Se for vítima de fraude, denuncie a situação ao órgão de polícia criminal mais próximo (PSP, GNR ou PJ) ou ao Ministério Público.














