“Na saúde, a Inteligência Artificial não pode ser usada cegamente”, alerta Ricardo Baptista Leite no Iscte Executive Education

A utilização responsável da Inteligência Artificial (IA) na saúde foi o tema central da conferência “IA em Saúde: Fundamentos, essenciais e aspetos estratégicos”, realizada no Iscte Executive Education, em Lisboa, que reuniu especialistas e cerca de uma centena de participantes do setor.

André Manuel Mendes
Fevereiro 12, 2026
12:02

A utilização responsável da Inteligência Artificial (IA) na saúde foi o tema central da conferência “IA em Saúde: Fundamentos, essenciais e aspetos estratégicos”, realizada no Iscte Executive Education, em Lisboa, que reuniu especialistas e cerca de uma centena de participantes do setor.

“Na saúde, a Inteligência Artificial não pode ser usada cegamente, sobretudo quando falamos de diagnóstico e decisão clínica”, alertou terça-feira, Ricardo Baptista Leite, CEO da Health AI – Agência Global para a Inteligência Artificial Responsável. O responsável sublinhou que o verdadeiro desafio não está na inovação tecnológica, mas na forma como esta é aplicada num contexto em que a tecnologia evolui mais rapidamente do que a capacidade dos sistemas para a integrar.

Ricardo Baptista Leite destacou a consciência crescente entre os profissionais de saúde sobre os riscos de uma utilização acrítica das novas ferramentas e defendeu uma mudança no perfil de competências exigidas: “as competências que antes estavam muito associadas à memorização estão a dar lugar à análise crítica, que é vital para navegar no mundo atual da inteligência artificial”. O CEO da Health AI acrescentou que os profissionais devem ter um papel ativo “no desenho da aplicação da inteligência artificial e no redesenho do próprio sistema de saúde”.

Também orador nesta conferência, Arlindo Oliveira, professor distinto do IST e presidente do INESC, referiu que o ritmo acelerado da evolução tecnológica surpreendeu o próprio meio científico: “há oito ou dez anos, ninguém imaginava que os modelos de linguagem permitissem sistemas capazes de discutir temas complexos ou apoiar diagnósticos médicos”. Sublinhou, no entanto, que a tecnologia não é hoje o principal fator limitativo: “O grande desafio é integrá-la adequadamente nos processos, o que num hospital pode demorar anos”.

A discussão abrangeu ainda o impacto da IA na formação de médicos, engenheiros e outros profissionais. Para Arlindo Oliveira, é fundamental encontrar um equilíbrio: “não podemos achar que tudo se resolve ensinando os alunos a fazer prompts, mas também não temos ainda respostas fechadas sobre o que deve ou não deixar de ser ensinado”. O investigador reforçou que a maioria dos sistemas de IA são treinados a partir de dados e exemplos, levantando novas questões sobre responsabilidade, transparência e ética.

Moderada por José Crespo de Carvalho, a conferência refletiu a aposta estratégica do Iscte Executive Education na área da Gestão e Inovação em Saúde, posicionando a instituição como um espaço de reflexão crítica e capacitação de líderes para decisões responsáveis num setor em profunda transformação tecnológica.

 

 

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