No primeiro dia de 2026, a multinacional suíça Oerlikon anunciou o encerramento da sua unidade de joias Amom, localizada em Badia al Pino, na província de Arezzo, em Itália. O anúncio surpreendeu os 70 trabalhadores da fábrica, que foram informados individualmente da sua demissão por videochamada no último dia de 2025, sem qualquer aviso prévio.
A decisão gerou protestos imediatos. Os sindicatos solicitaram a suspensão das demissões e propuseram que os benefícios fossem pagos através de uma rede de segurança social alternativa, em vez do fundo tradicional de indemnizações por encerramento de empresas, segundo informações do jornal italiano ‘Il Fatto Quotidiano’.
Emiliano Fossi, deputado do Partido Democrático e secretário regional na Toscana, criticou duramente o procedimento adotado pela empresa. “Demitir 70 trabalhadores por causa de uma chamada de vídeo improvisada é um ato inaceitável de arrogância e uma grave violação da dignidade do trabalho”, afirmou.
Fossi sublinhou que a medida não apenas agrava a crise industrial local, mas evidencia “um comportamento irresponsável que demonstra total desrespeito pelas pessoas, pelas relações laborais e por uma região já sob grande pressão”. O político acrescentou que “tratar os trabalhadores como figurantes pagos remotamente é indigno de um país civilizado”.
Diante do impacto social e económico, Fossi solicitou “a verificação imediata da legitimidade dos procedimentos e a ativação de um fórum nacional para debate sobre a crise”. O objetivo é avaliar se a empresa cumpriu a legislação laboral italiana e se os mecanismos de proteção social foram corretamente aplicados, garantindo aos trabalhadores os seus direitos.
O caso da Amom destaca a crescente tensão entre práticas corporativas globais e direitos laborais locais, levantando questões sobre o equilíbrio entre decisões empresariais e responsabilidade social em tempos de incerteza económica.














