O Ministério Público (MP) e a Autoridade Tributária têm em mãos cinco mega investigações por suspeitas de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais no mundo do futebol. Segundo a revista “Sábado”, as autoridades estão a escrutinar as contratações de jogadores por vários clubes portugueses e suspeitam que existam milhões de euros que passaram à margem do Fisco através de documentos fictícios.
Há cerca de 40 visados principais. A lista de nomes inclui presidentes de clubes, agentes, empresários, empresas e dezenas de jogadores de futebol. O presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, o presidente do Sporting de Braga, António Salvador, e o presidente do Benfica, Luís Filipa Vieira são os principais alvos. O empresário Jorge Mendes e o advogado Carlos Osório são outros dois.
Para a investigação contribuíram alguns dos documentos do hacker português Rui Pinto, que vai enfrentar julgamento por ter acedido ilegalmente nos sistemas informáticos da Doyen Sports, do Sporting e da sociedade de advogados PLMJ, por exemplo, e divulgado várias transferências que estão a ser investigadas pelas autoridades.
De acordo com a revista, o processo mais avançado foca-se em Pinto da Costa, tendo resultado da fusão de oito inquéritos iniciados em 2017/18. Em causa está a transferência de 15 jogadores, entre os quais alguns nomes como Jackson Martinez, Iker Casillas, Radamel Falcão, James Rodriguez, Imbula, Mangala e o português Danilo Pereira. O Fisco acredita que o presidente dos Dragões tenha tido uma vantagem patrimonial ilegal de cerca de 20 milhões de euros.
FC Porto já reagiu
Ainda antes de a revista “Sábado” sair para as bancas nesta quinta-feira, mas já com a informação da capa que dava conta de que o presidente Pinto da Costa e o Futebol Clube do Porto estavam a ser investigados, o clube reagiu em comunicado no seu website. «Nunca a FC Porto SAD e/ou o presidente do seu Conselho de Administração foram interpelados, ouvidos ou interrogados em qualquer tipo de inquérito ou diligência judicial similar sobre qualquer uma destas matérias», começaram por escrever.
«Se estes inquéritos existirem, o que só se admite por mera hipótese de raciocínio, estariam em segredo de justiça e numa fase embrionária, pelo que se estranha esta fuga de informação cirúrgica em vésperas de um FC Porto-Benfica decisivo para o campeonato. A FC Porto SAD e o presidente do seu Conselho de Administração manifestam, como sempre, a sua disponibilidade para fornecerem todos os elementos contabilísticos e pessoais que forem solicitados, como já o fizeram, em devido tempo, à Unidade de Grandes Contribuintes da Autoridade Tributária. A FC Porto SAD e o presidente do seu Conselho de Administração não deixarão de exigir em sede própria responsabilidades aos artífices desta patranha», pode ler-se no comunicado assinado por Pinto da Costa.
Além do FC Porto, o Benfica, Sporting, Marítimo, Braga, Estoril, Guimarães e Portimonense também são visados nos inquéritos do MP, por causa dos contratos relativos aos direitos económicos de jogadores de futebol profissional, bem como os contratos de direitos de imagem, de atribuição de prémios de assinatura, entre outros.
Quanto à SAD do Benfica, que foi recentemente despronunciada no caso do e-Toupeira, são visados clubes estrangeiros e empresas de intermediação por causa de jogadores como André Carrillo, Pizzi, Jiménez, Júlio Cesar, Ola John e Jonas. Também neste caso, o presidente Luís Vieira é alvo da investigação.
A “Sábado” adianta ainda que a investigação está a ser feita por uma equipa especial conjunta do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que delegou competências na Direção de Serviços de Investigação da Fraude e Acções Especiais.














