O movimento «Resistência Nacional» negou o envio de e-mails com ameaças racistas, assegurando que mantém o «respeito pela legalidade» e que é contra «qualquer tipo de intimidação física ou psicológica», de acordo com a ‘RTP’.
Na sequência dos últimos acontecimentos que davam conta de ameaças racistas a três deputadas e outros responsáveis pela associação SOS Racismo, assinadas pelo «Movimento Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional», o organismo sublinhou que não teve nada que ver com o sucedido e esclareceu que todas as suas acções decorrem «sempre dentro da legalidade».
«Repudiamos qualquer tipo de intimidação física ou psicológica a quem quer que seja», declara o movimento, citado pela ‘RTP’, adiantando também que «não temos qualquer ligação a esse movimento (Nova Ordem de Avis) nem aos seus intervenientes».
Segundo dizem, o «Movimento Resistência Nacional» é um movimento do século XXI» independente de «movimentos do passado», que se prende com a «defesa do património cultural português e identidade das suas gentes».
«Entendemos Portugal no contexto das nações europeias, na riqueza da diversidade do povo europeu e matriz cultural europeia», acrescenta o movimento citado pela ‘RTP’.
Recorde-se que membros da SOS Racismo estiveram na quarta-feira na sede da Polícia Judiciária onde foram ouvidos depois de na terça-feira terem recebido um e-mail com ameaças, dando 48 horas para que 10 pessoas abandonassem o país.
Na lista é feita referência a três deputadas: Joacine Katar Moreira, Beatriz Gomes Teixeira e Mariana Mortágua. A informação foi avançada pela RTP e confirmada à Executive Digest por fonte do Bloco de Esquerda, que adianta que está a elaborar uma queixa ao Ministério Público.
No mail pode ler-se o seguinte texto:
“Informe da Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional:
– Beatriz Gomes
– Danilo Moreira
– Joacine Katar Moreira
– Mamadou Ba
– Jonathan Costa
– Rita Osório
– Vasco Santos
– Luís Lisboa
– Melissa Rodrigues
– Mariana Mortágua
Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e anti-racistas incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português.
Sendo o prazo ultrapassado, medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português. O mês de Agosto será mês da luta contra os traidores da nação e seus apoiantes. O mês de Agosto será o mês do reerguer nacionalista.
Carta aberta pede acção política para combater racismo em Portugal
Uma carta aberta de várias associações e de colectivos de afrodescendentes e ciganos exigiu esta quarta-feira aos responsáveis políticos que combatam o racismo e o crescimento da extrema-direita em Portugal, e que demonstrem solidariedade às vítimas de ataques raciais.
A iniciativa, com o nome “O silêncio é cúmplice”, pede que os responsáveis políticos e instituições “acionem os mecanismos processuais para combater o racismo e o crescimento da extrema-direita”, e que deem “um sinal inequívoco e público sobre a inaceitabilidade de actos e organizações políticas e partidárias racistas”.
A carta, enviada à Lusa pelo Movimento Negro Portugal, pede ainda que estes “demonstrem a sua solidariedade para com as vítimas destes ataques”.
“A negação e inação sistemáticas é o leito da impunidade do racismo que tem escalado para níveis a que já nos tínhamos desabituado. As nossas vidas importam. O silêncio das instituições é cúmplice”, realça o documento enviado ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa, entre outras responsáveis políticos.
A iniciativa, que junta 34 grupos antirracistas de vários pontos do país, como a SOS Racismo, Movimento Negro, Afrolis, Djass, Consciência Negra, Femafro ou Aurora Negra, destaca que, “no curto espaço de quatro semanas, a sociedade portuguesa foi palco de manifestações racistas”, defendendo que esta escalada exige “uma resposta célere e um posicionamento explícito das entidades competentes num Estado de direito democrático”.
A missiva refere ainda que no sábado, em frente à sede da associação SOS Racismo, em Lisboa, houve “uma parada de um grupo neonazi, de rosto tapado e tochas”, e que perante a “escalada dos ataques” não houve “qualquer demonstração institucional pública de repúdio”.














