MNE diz que Governo acompanha com atenção e preocupação a situação em Cuba

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros afirmou, no Porto, que o Governo acompanha com atenção e preocupação a situação de Cuba, que está a sofrer as consequências da suspensão das entregas de petróleo da Venezuela.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 12, 2026
0:08

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros afirmou, no Porto, que o Governo acompanha com atenção e preocupação a situação de Cuba, que está a sofrer as consequências da suspensão das entregas de petróleo da Venezuela.


“A questão de Cuba é acompanhada por nós com muita atenção e também com preocupação, evidentemente”, disse Paulo Rangel, quando questionado esta noite pelos jornalistas sobre a situação naquela ilha das caraíbas, onde o Grupo Vila Galé tem hotéis e operadores de viagens preparam pacotes de viagens em voos ‘charter’ para as férias da Páscoa.  


À margem do 35.º Congresso Nacional da AHP, organizado pela Associação da Hotelaria de Portugal, que decorre no Porto até sexta-feira, Paulo Rangel disse que não poderia acrescentar mais pormenores.  


“Portanto, há trabalho em curso e, nesse sentido, diria que é um acompanhamento muito perto, mas não quero dizer mais nada, porque não devo dizer mais nada”, explicou.


Na terça-feira, as companhias aéreas canadianas Air Transat e WestJet anunciaram a suspensão dos voos para Cuba, onde os stocks de combustível têm diminuído rapidamente desde que os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre a ilha comunista.  


Cuba sofre as consequências da suspensão das entregas de petróleo da Venezuela, ordenada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelas forças armadas norte-americanas no início de janeiro. 


Em resposta à pressão de Washington, o Governo cubano anunciou medidas de emergência, incluindo uma semana de trabalho de quatro dias para as empresas estatais e restrições à venda de combustível. 


A Air Transat anunciou o cancelamento de todos os voos para Cuba pelo menos até 30 de abril, “em resultado da rápida evolução da situação nas últimas horas e do anúncio das autoridades cubanas sobre uma possível escassez de combustível de aviação nos aeroportos”. 


“Dependendo da forma como a situação se desenvolver, os voos para Cuba poderão ser retomados já a 01 de maio”, acrescentou a companhia, especificando que iria contactar os clientes que se encontram em Cuba para tratar do seu repatriamento. 


A WestJet anunciou “uma redução gradual e ordenada das operações de inverno” e indicou, em comunicado, que iria também começar a enviar aviões vazios para Cuba para repatriar passageiros. 


Antes, a Air Canada já tinha suspendido voos para Cuba.  


“Nos próximos dias, a companhia aérea realizará voos de saída sem passageiros para ir buscar cerca de 3.000 passageiros já no destino e trazê-los de volta a casa”, indicou em comunicado. 


No fim de semana, autoridades cubanas informaram as companhias aéreas de que o abastecimento de combustível de aviação seria interrompido durante um mês a partir da meia-noite de segunda-feira. 


Segundo a Administração Federal da Aviação dos Estados Unidos (FAA), os aeroportos internacionais do país esgotaram as reservas de combustível Jet A1, o mais utilizado pela aviação comercial, não estando disponível entre 10 de fevereiro e 10 de março nos nove principais aeroportos. 


Perante o cenário, companhias aéreas ajustaram operações. A russa Aeroflot alterou horários de voos e suspendeu a venda de bilhetes, enquanto a espanhola Iberia flexibilizou tarifas para passageiros com viagens marcadas e a Air Europa confirmou uma escala em Santo Domingo (República Dominicana) para reabastecimento nos voos de e para Havana. 


A escassez afetou igualmente o setor hoteleiro. 


Segundo a Associação de Operadores Turísticos da Rússia (ATOR), hotéis com baixa ocupação encerraram temporariamente e os hóspedes foram realojados gratuitamente noutros estabelecimentos, geralmente de categoria superior. 


Apesar das perturbações, alguns hotéis continuam a funcionar normalmente. A ATOR indicou ainda que entre 4.200 e 4.700 turistas russos poderão encontrar-se atualmente em Cuba, acrescentando que operadores turísticos mantêm contacto estreito com parceiros locais para coordenar a resposta à situação. 


 


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