A aceleração da transformação digital tem levado as empresas a procurar redes de conetividade cada vez mais rápidas, seguras e flexíveis, capazes de acompanhar a evolução dos negócios e responder às exigências de um mercado cada vez mais digital. É neste contexto que a MEO tem apostado na inovação das suas soluções de comunicação, desenvolvendo tecnologias que permitem às empresas beneficiar de maior desempenho, fiabilidade e flexibilidade nas suas operações. Em entrevista à Executive Digest, Carlos Bouça, diretor de Engenharia e Operação de Redes da MEO, revela de que forma a empresa tem investido, de forma contínua e estrutural, na modernização das suas infraestruturas, preparando a rede para responder aos desafios de uma economia cada vez mais digital.
O setor das telecomunicações atravessa uma fase de forte transformação tecnológica. Quais são hoje as principais prioridades estratégicas da MEO em matéria de redes e conetividade?
A nossa prioridade é desenvolver uma infraestrutura resiliente, robusta e preparada para a economia digital. Isso passa pelo reforço da fibra ótica e do 5G, pela evolução para arquiteturas mais inteligentes e programáveis, pelo desenvolvimento da conectividade internacional, pela integração da cloud e da inteligência artificial e por uma aposta consistente na cibersegurança. Na MEO, vemos a rede não apenas como conetividade, mas como uma plataforma de inovação para novos serviços digitais. Esta visão contribui para a coesão territorial, para a ligação de Portugal ao mundo e para o desenvolvimento contínuo das nossas equipas.
De que forma tem evoluído o investimento da MEO na modernização das suas infraestruturas e quais são as áreas que concentram atualmente maior atenção?
A modernização das infraestruturas tem sido contínua e estrutural, abrangendo redes fixas e móveis de elevada capacidade, sempre orientadas por necessidades reais de mercado, e não pela lógica da tecnologia pela tecnologia.
As prioridades atuais são a expansão e densificação da fibra ótica, a evolução do 5G, em particular o 5G Standalone e o network slicing, e o desenvolvimento de capacidades digitais através de API normalizadas da rede. Destaca-se ainda o reforço dos hubs de conetividade internacional – cabos submarinos e gateways de satélite – críticos para a segurança e a soberania digital. Esta evolução assenta em arquiteturas cloud e numa abordagem de cibersegurança desde a conceção, permitindo acelerar novos serviços e a economia digital em Portugal.
Paralelamente, a MEO está a evoluir para o conceito de Redes Autónomas, uma nova geração de redes inteligentes capazes de monitorizar, analisar e executar ações de forma cada vez mais automatizada. Na prática, isto significa que a rede pode antecipar potenciais falhas ou novas necessidades e implementar medidas em tempo real.
Esta evolução traduz-se em benefícios concretos para os clientes e para a sociedade: maior disponibilidade dos serviços, melhor qualidade de experiência, maior resiliência das infraestruturas e uma capacidade mais rápida de recuperação perante incidentes ou emergências. A combinação entre inteligência artificial, automação e conhecimento técnico das equipas da MEO constitui um pilar fundamental para a construção destas redes do futuro.
O 5G já entrou numa fase de maior maturidade. Que impacto concreto está a ter na atividade das empresas e que casos de utilização destacaria em Portugal?
O 5G está a evoluir de tecnologia de conetividade para plataforma de transformação digital. Em Portugal, já é aplicado em setores como logística, portos e indústria. Destacaria o piloto MEO Priority Pass powered by 5G+, no qual a MEO testou, em ambiente real, capacidades de network slicing sobre 5G Standalone. Esta tecnologia permite criar segmentos dedicados da rede, ajustados a diferentes necessidades, com maior fiabilidade, melhor gestão de recursos e segurança reforçada para clientes empresariais e institucionais. O piloto envolveu entidades como a Atlânticoline, o Grupo Bensaúde, o Grupo Sousa, o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa e a TAP.
Como avalia a crescente procura por redes mais resilientes, rápidas e seguras por parte das organizações, num contexto de aceleração da transformação digital?
É uma evolução natural. À medida que as empresas dependem mais da cloud, dos dados, da automação e da inteligência artificial, a conectividade tornou-se a infraestrutura crítica. As organizações exigem redes disponíveis, seguras e de elevado desempenho, capazes de suportar aplicações críticas e assegurar continuidade operacional. A conetividade deixou de ser vista como uma commodity: é hoje um alicerce da transformação digital e deve estar integrada na solução tecnológica de forma transversal.
A inteligência artificial está a ganhar um papel cada vez mais relevante nas telecomunicações. Como está a MEO a aplicar esta tecnologia na gestão, otimização e operação das suas redes?
A inteligência artificial tem uma aplicação cada vez mais relevante na otimização das operações de rede. Estamos a utilizá-la na análise de grandes volumes de dados, na deteção proativa de falhas, na correlação de alarmes, na manutenção preditiva, na otimização do desempenho da rede e na melhoria da eficiência operacional e energética. O objetivo é antecipar problemas, reduzir tempos de resposta e proporcionar aos clientes uma experiência de utilização cada vez mais consistente e fiável.
Num cenário de crescimento do trabalho híbrido, da cloud e da Internet das Coisas, como estão a evoluir as necessidades de conectividade dos clientes empresariais?
Os clientes empresariais procuram hoje muito mais do que largura de banda. Exigem soluções que combinem conectividade, cloud, segurança, mobilidade, IoT e gestão integrada. Há uma procura crescente por redes flexíveis, escaláveis e capazes de suportar ambientes distribuídos e redundantes, bem como por modelos tecnológicos e de negócio que permitam adaptar recursos e níveis de serviço às necessidades específicas de cada organização.
A cibersegurança tornou-se uma preocupação central para empresas e instituições. De que forma a MEO integra esta dimensão na sua oferta de comunicações e serviços de rede?
A cibersegurança está integrada de forma transversal, desde o desenho das redes até à operação dos serviços. Apostamos em monitorização contínua, segmentação, certificações internacionais, proteção contra ameaças avançadas e centros de operações especializados. Para os clientes empresariais, disponibilizamos soluções de segurança de rede, cloud e serviços geridos, preparadas para responder aos novos riscos do ambiente digital.
A segurança é também uma dimensão cada vez mais integrada nas capacidades da própria rede. Por exemplo, a aposta da MEO em API normalizadas de rede móvel 5G, que permitem reforçar processos de autenticação, prevenção de fraude e proteção de transações críticas. Tudo isto torna possível validar identidades em tempo real, verificar alterações de cartão SIM e aumentar a segurança de operações digitais críticas de forma transparente para o utilizador.
Outro exemplo é o serviço Origem MEO, pioneiro em Portugal, que permite aos clientes identificar se as chamadas recebidas têm origem num número válido. Estamos efetivamente a entregar segurança aos nossos clientes. Esta funcionalidade reforça a confiança e a segurança nas comunicações de voz, num contexto em que a fraude telefónica assume uma relevância crescente.
A sustentabilidade também passou a fazer parte da agenda das telecomunicações. Que medidas tem a MEO implementado para tornar as suas redes mais eficientes do ponto de vista energético e ambiental?
A sustentabilidade é hoje um critério central no desenho e na operação das redes. Não se mede apenas pela redução do impacto ambiental, mas também pela capacidade de garantir serviços críticos em situações adversas. A evolução para tecnologias mais eficientes, como o 5G Standalone, a preparação de infraestruturas para o futuro e o desligamento de tecnologias legadas, como o 3G, contribuem para reduzir consumos e aumentar a eficiência operacional. A estratégia da MEO combina inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e eficiência de longo prazo.
Paralelamente, o investimento que a MEO está a fazer numa arquitetura de Telco Edge Cloud, aproximando a capacidade de processamento das aplicações e serviços dos locais onde os dados são gerados e consumidos, permite otimizar a utilização dos recursos computacionais, reduzir a necessidade de transporte de grandes volumes de tráfego para centros de dados distantes e aumentar a eficiência energética global da rede, mantendo elevados níveis de desempenho e qualidade de serviço.
O setor enfrenta um ritmo de inovação muito elevado. Como consegue a MEO equilibrar a necessidade de investir em novas tecnologias com a pressão para manter a competitividade e a qualidade de serviço?
Esse equilíbrio resulta de uma visão de longo prazo, assente em investimento seletivo, disciplina operacional e inovação sustentável. Investimos em tecnologias com impacto real na experiência dos clientes, na eficiência da rede e na criação de valor, preservando elevados padrões de qualidade, cobertura e resiliência. A estratégia é modernizar a infraestrutura de forma progressiva, sem disrupções, garantindo que cada investimento responde a necessidades concretas e reforça a competitividade da MEO.
Que tendências considera que irão marcar a próxima geração de redes de comunicações e de que forma a MEO se está a preparar para esse futuro?
As redes do futuro serão cada vez mais inteligentes, programáveis, seguras e orientadas a aplicações. A sua evolução será marcada pela cloudificação, pela utilização de inteligência artificial na operação, pela automação, pela exposição de capacidades através de API e pela integração complementar de comunicações por satélite. A MEO está a preparar-se para esse futuro através da evolução do 5G Standalone, da exploração de novos modelos de rede programável e do desenvolvimento de soluções que permitam adaptar recursos, níveis de serviço e funcionalidades às necessidades específicas de cada aplicação ou setor.
As empresas procuram hoje parceiros tecnológicos e não apenas fornecedores de conetividade. Como tem evoluído o posicionamento da MEO para responder a essa mudança de expetativas?
Esse posicionamento tem evoluído de forma clara. As empresas procuram parceiros que compreendam os seus desafios de negócio e desenhem soluções integradas, combinando conetividade, cloud, segurança, IoT, mobilidade, colaboração e serviços geridos. A resposta da MEO passa por uma abordagem consultiva e end-to-end, apoiando os clientes do desenho da arquitetura à implementação, operação e evolução das soluções. Mais do que fornecer acesso à rede, queremos ser um parceiro de transformação digital.
Olhando para os próximos anos, quais serão os maiores desafios e oportunidades para o setor das comunicações em Portugal e que papel pretende a MEO desempenhar nessa evolução?
As comunicações são um motor de desenvolvimento económico e social, e a MEO tem contribuído para esse percurso com redes ao melhor nível mundial. O grande desafio será garantir que Portugal dispõe de redes modernas, resilientes e preparadas para uma economia cada vez mais digital, distribuída e dependente de conetividade permanente. A resiliência será central, como demonstraram acontecimentos recentes que evidenciaram a importância de redes robustas, equipas preparadas e capacidade de resposta rápida. A oportunidade está em combinar fibra, 5G Standalone, conectividade internacional, cloud, cibersegurança e soluções satélite, assegurando continuidade, segurança e valor para empresas, instituições e cidadãos.
O papel da MEO será continuar a investir nesta evolução de forma integrada, mantendo a qualidade das redes existentes e preparando novas camadas de conetividade que reforcem a ambição digital do País. Para isso, é essencial uma visão económica de longo prazo, que preserve a capacidade de investimento do setor e evite um enquadramento regulatório centrado apenas em resultados de curto prazo.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Comunicações e redes (5G)”, publicado na edição de Setembro (n.º 246) da Executive Digest.














