A proteção Civil de Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, fechou os acessos às zonas ribeirinhas devido à subida dos caudais dos rios Douro e Arda, onde a água se aproximou de algumas concessões, disse hoje o presidente.
“Toda a margem ribeirinha do Douro está cortada. Os rios já galgaram as margens ribeirinhas. Neste momento ainda não temos nenhuma habitação própria em risco, temos sim algumas infraestruturas municipais, algumas concessões junto à margem ribeirinha com água próxima”, disse Ricardo Cardoso, num ponto de situação à agência Lusa, cerca das 12:00.
O autarca, que disse estar a acompanhar a situação em Pedorido, freguesia situada na margem esquerda do rio Douro, acrescentou que a Proteção Civil “está no terreno a monitorizar margens e os leitos para salvaguardar as pessoas”.
Além dos acessos, foram fechadas as concessões e feitos alertas à população.
“No que diz respeito a pessoas, está tudo a correr bem, não existe nenhuma pessoa em risco, nem nenhuma habitação particular”, reforçou o autarca, aproveitando para fazer um apelo para que a população adote comportamentos cautelosos.
Ricardo Cardoso fez, ainda, um alerta para o perigo de aluimentos e derrocadas, apontando que estão já registadas “dezena de ocorrências desde vias públicas, vias particulares, acessos particulares, algumas infraestruturas particulares, e anexos em risco de ruir”.
A Capitania do Douro alterou o alerta de iminência de cheias de laranja para vermelho, estando já interditada a navegação no rio Douro e ativadas medidas restritivas específicas dos planos municipais de intervenção, disse hoje o comandante adjunto, Pedro Cervaens, num ponto de situação cerca das 07:30.
“Alterámos o laranja para vermelho, o que significa que passámos para a probabilidade de estarmos na iminência da ocorrência de cheias. Significa que algumas zonas que ainda não tinham sido atingidas pela água começaram a ser atingidas com outro significado, e também permite a outros agentes tomarem determinadas medidas”, explicou Pedro Cervaens.
Entre as medidas possíveis podem ser implementados “condicionamentos mais restritos” no municípios onde o rio Douro e rios afluentes possam causar danos.
O rio Douro transbordou hoje de madrugada para as margens do Porto e de Vila Nova de Gaia, com a água a entrar na zona das esplanadas.
Também no Peso da Régua, distrito de Vila Real, O presidente da Câmara admitiu a possibilidade de ser acionado um plano para evacuação das habitações da zona próxima ao rio Douro que “entrou em fase de saturação”, disse à Lusa José Manuel Gonçalves, cerca das 09:30.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.












