O número de desalojados na região Oeste devido ao mau tempo subiu hoje para 92, com os deslizamentos de terras a revelarem-se as situações mais preocupantes, segundo a Proteção Civil.
“O deslizamento de terras e a falta de água, nomeadamente nos municípios de Sobral Monte Agraço e Arruda dos Vinhos, são as situações mais preocupantes”, disse à agência Lusa o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Oeste, Carlos Silva.
Os deslizamentos de terras, que provocaram cortes de estradas e danificaram várias casas, estiveram hoje a ser avaliados “por equipas do departamento de geotecnia do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), para tentar perceber quais são as medidas que devem ser tomadas por parte de cada um destes municípios”, adiantou.
Na sequência da passagem da depressão Kristin, no dia 28 de janeiro, e depois da tempestade Marta, o Oeste regista hoje um total de “92 desalojados”, sendo que oito pessoas que tinham ficado nas mesmas condições “já regressaram a casa”, disse Carlos Silva, acrescentando que existem também “198 deslocados”.
Ainda segundo o responsável, o aumento de deslocados e desalojados relativamente a segunda-feira é referente “a pessoas de Arruda dos Vinhos e da Lourinhã, retiradas de casa por precaução”. Na segunda-feira estavam contabilizados 87 desalojados e 192 deslocados.
Na região, o sub-comando registou, nas últimas 24 horas, “cerca de 60 ocorrências” relacionadas com “quedas de árvores, queda de infraestruturas, deslizamentos de terras e inundações”, mantendo a tendência dos últimos dois dias, em que “o número tem vindo a baixar”.
Devido aos danos nas estradas, que provocaram a rutura de condutas de água, mantêm-se sem abastecimento os concelho de Arruda dos Vinhos e Sobral, os quais “estão a ser abastecidos com veículos tanque dos corpos de bombeiros do Oeste”, com o apoio de corporações da grande Lisboa, disse ainda o comandante.
O Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil do Oeste abrange os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, no distrito de Leiria, e de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, no distrito de Lisboa.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.



