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Oeiras, Lisboa, 12 fev 2026 (Lusa) — O comandante nacional da Proteção Civil alertou hoje para o agravamento do estado do tempo nas próximas horas, com previsão de chuva forte e persistente, avisando para o risco de cheias rápidas e deslizamentos de terras.
O alerta do comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre, foi dado pelas 19:00, numa conferência de imprensa na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras (Lisboa), para fazer um ponto de situação das cheias no país, a que assistiram o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e os presidentes das câmaras de Lisboa, Carlos Moedas, e de Oeiras, Isaltino Morais.
“Hoje acompanha-nos o senhor primeiro-ministro e o senhor presidente da Câmara de Oeiras e isto revela também a preocupação que todos temos relativamente ao episódio de precipitação previsto para a noite de hoje, com precipitação por vezes forte e o fenómeno meteorológico irá prolongar-se até ao dia 13 [sexta-feira]”, afirmou Mário Silvestre.
O comandante nacional da ANEPC advertiu que as condições meteorológicas adversas poderão ter um impacto significativo na região da Grande Lisboa e na Península de Setúbal, podendo ocorrer inundações em meio urbano, nomeadamente em garagens e zonas subterrâneas.
“Impera aqui a questão da segurança e da precaução no que diz respeito ao comportamento cívico das pessoas, nomeadamente à salvaguarda dos seus bens e evitarem, nomeadamente, o estacionamento em zonas potencialmente alagadas e também zonas onde as árvores poderão ser, no fundo, um risco para as populações”, aconselhou.
Mário Silvestre salientou também que, além da intensidade da precipitação, a persistência da chuva e a saturação dos solos aumentam o risco de derrocadas e colapso de muros e taludes, podendo causar isolamento de localidades.
Por outro lado, o comandante nacional referiu que o plano especial da Bacia do Tejo mantém-se no nível vermelho, o mais elevado, havendo também risco de cheia nas zonas ribeirinhas do rio.
“No Tejo, mantém-se também caudais bastante elevados, a maior parte deles provenientes das barragens de Espanha, nomeadamente Cedilho, que estava há pouco tempo na casa dos cinco mil metros cúbicos por segundo”, apontou.
Segundo a Proteção Civil, estão ativados 12 planos distritais e 124 planos municipais de emergência, bem como 15 declarações de situação de alerta emitidas por municípios.
No que diz respeito às ocorrências, Mário Silvestre referiu que foram registadas 16.623 desde o dia 01 de fevereiro, que mobilizaram 56.703 operacionais e 23.124 meios.
As situações mais frequentes continuam a ser quedas de árvores e inundações, havendo também registo de movimentos de massa que têm provocado danos em infraestruturas e constrangimentos na rede rodoviária e ferroviária.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.






