Mau tempo: PAN defende remodelação no Governo depois de superadas as tempestades

A porta-voz do PAN defendeu hoje que o primeiro-ministro deve fazer uma remodelação do Governo depois de superada a sequência de tempestades enfrentadas pelo país, considerando que o executivo esteve “ausente do território” e deu uma resposta tardia.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 6, 2026
19:51

A porta-voz do PAN defendeu hoje que o primeiro-ministro deve fazer uma remodelação do Governo depois de superada a sequência de tempestades enfrentadas pelo país, considerando que o executivo esteve “ausente do território” e deu uma resposta tardia.


Depois de uma visita a associações afetadas pelo mau tempo na Marinha Grande e em Leiria, Inês de Sousa Real criticou, em declarações à Lusa por telefone, a atuação do executivo na resposta às tempestades que atingiram o país e elogiou o papel dos autarcas à frente dos municípios atingidos.


“Nós temos visto um Governo completamente ausente do território e que, quando chega ao território, já chega muito tardiamente”, afirmou, acrescentando que o que se tem visto é a “comunidade a dizer presente” e os sítios a contarem com a entreajuda das pessoas.


Para Sousa Real, o país precisa de “repensar a sua estratégia de desenvolvimento, de recuperação e de reconstrução” e parte dessas mudanças passam “até pela remodelação do próprio Governo e dos ministérios”.


Questionada sobre quem mudaria no atual elenco governativo, a líder do PAN indicou a ministra da Administração Interna e o ministro da Agricultura e criticou também o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, por ter publicado um vídeo nas redes sociais em que se mostrava a trabalhar na resposta à passagem da depressão Kristin.


A deputada única do PAN pediu também um “outro peso” para o Ministério do Ambiente e criticou Luís Montenegro por ter escolhido Maria Lúcia Amaral para ministra da Administração Interna, argumentando que se trata de uma académica incompatível com um “cargo muito operacional”.


Sousa Real apelou também a que se “coloque dinheiro onde ele faz falta” e argumentou que “Portugal não precisa de andar a desperdiçar dinheiro para a defesa”, enquanto “brinca a uma guerra” diferente da que devia estar a travar, a das alterações climáticas.


A porta-voz do PAN apontou ainda falhas graves nas telecomunicações durante a resposta às tempestades, considerando inaceitável que populações tenham ficado isoladas por ausência de sistemas alternativos de comunicação, defendendo que o colapso do SIRESP evidencia a falta de preparação do país para cenários de emergência.


Inês de Sousa Real alertou também para o cansaço acumulado dos operacionais no terreno, nomeadamente bombeiros, proteção civil e forças de segurança, sublinhando que estes têm trabalhado “dias sem descanso”, ao mesmo tempo que muitas populações continuam sem informação clara sobre os apoios disponíveis e os prazos para a sua concretização.


Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também centenas de feridos e desalojados, corte de energia, água e comunicações.


Na quinta-feira, o Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, e anunciou novas medidas, entre as quais um regime excecional e experimental para acelerar a reparação urgente e reconstrução de casas, sem controlo administrativo prévio.


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