Uma carta aberta lançada por profissionais das artes do espetáculo apela ao dever de responsabilidade social dos principais empresários em Portugal e insta o Governo a requisitar os serviços destas grandes empresas, para ajudar a população afetada pelas tempestades.
“Existem empresas privadas no nosso país, que pela sua escala, redes de distribuição, número de trabalhadores e sobretudo, volume de negócios e margens de lucro podiam e deviam mostrar-se disponíveis num momento de crise profunda”, pode ler-se, numa carta aberta que tem como primeiras signatárias as atrizes Catarina Requeijo e Isabel Craveiro.
A carta aberta “Pela responsabilidade social e requisição dos serviços das grandes empresas” é endereçada aos CEO das principais empresas de energia, distribuição alimentar, higiene, transportes, construção civil ou logística, mas também ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e outros elementos do Governo.
Para os signatários, não é preciso nomear quais empresas podem ajudar a população, referindo-se a estas como “aquelas que nunca fecham, que estão espalhadas por todo o país, que trabalham 365 dias no ano e que apresentam lucros consideráveis”.
“Talvez algumas já o tenham feito e de forma tão discreta que não nos apercebemos, mas apelar a que mais empresas mostrem a sua responsabilidade social nunca peca por demasia”, destacam.
A carta aberta refere ainda que o Governo “deveria requisitar os seus serviços para uma resposta à escala necessária e o mais rapidamente possível”.
De acordo com a informação enviada à agência Lusa pelos signatários da carta aberta, esta contava já, pelas 17:30 de hoje, com 626 assinaturas e irá ser enviada aos destinatários na terça-feira de manhã, continuando disponível para ser assinada através da ligação tinyurl.com/CartaAbertaRSE.
Na mesma nota, é referido que uma série de teatros e espaços de programação ligados à Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses está a organizar-se para que a receita dos seus próximos espetáculos seja recolhida e doada por inteiro a várias organizações não-governamentais (ONG) a operar no terreno, junto das populações mais afetadas.
Na carta aberta, os signatários referem-se às responsabilidades sociais das empresas (RSE), sublinhando que não podem deixar de pensar nelas num momento de “um problema tão complexo de ajuda em larga escala às populações afetadas pelas tempestades e cheias”.
“Apoiar as populações que perderam casas, bens, pequenas empresas, animais, culturas é dever do Estado e este apelo, de modo nenhum, pretende ilibar o Estado das suas responsabilidades. Não é um apelo à substituição, mas à colaboração complementar de outros setores importantes”, frisam.
E lembram também “a forma como a sociedade civil se tem organizado para prestar auxílio às populações afetadas, quer através de trabalho voluntário, quer através de donativos financeiros ou materiais”.
“Perante a impotência de quem pouco ou nada pode, fica o apelo a quem muito poderia, se quisesse”, conclui a carta aberta.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.



