– A Câmara de Campo Maior, no distrito de Portalegre, decretou três dias de luto municipal na sequência da morte de um bombeiro da corporação local, ocorrida hoje durante o apoio às populações afetadas pelo mau tempo.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do Município de Campo Maior, Luís Rosinha, sublinhou que foi com “grande consternação” que o povo daquela vila recebeu a notícia da morte do bombeiro.
O autarca destacou o “espírito de missão e a forma ativa” com que o bombeiro e também militar da GNR desempenhava as suas funções no seu dia-a-dia.
“É um dia muito trágico em que acabam por partir dois bombeiros, um de uma forma [doença prolongada] e outro em missão”, acrescentou.
“Quero também enviar as condolências a todos os familiares, à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Campo Maior e à GNR pela perda do elemento”, acrescentou.
O Presidente da República também já lamentou a morte do bombeiro, elogiando o seu “exemplo de abnegação e dedicação à causa pública”.
Numa mensagem publicada no ‘site’ da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa manifesta pesar pela morte do bombeiro José Valter Canastreiro, de Campo Maior, “ao serviço de apoio às comunidades afetadas pela intempérie”.
Também o Ministério da Administração Interna (MAI) manifestou “profundo pesar e consternação” pela morte hoje de um militar da GNR de Rio Maior, ao serviço dos bombeiros em apoio às populações afetadas pelo mau tempo.
“Foi com profundo pesar e consternação que o Ministério da Administração Interna tomou conhecimento do falecimento de um militar do Posto Territorial de Campo Maior, José Valter Cunha Canastreiro (…), vítima de um acidente na Ribeira de Caia, no decorrer de um serviço de apoio à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Campo Maior, durante o seu período de descanso”, declarou o MAI em comunicado.
O bombeiro morreu no decorrer de uma operação de patrulhamento, reconhecimento e vigilância, na sequência do mau tempo, disse à Lusa fonte da Proteção Civil.
A fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que não especificou as circunstâncias em que ocorreu o óbito, indicou apenas que o alerta foi dado “por volta das 13:30”.
Fonte da GNR também contactada pela Lusa limitou-se a acrescentar que a vítima mortal tem 46 anos e é também militar da Guarda no Posto Territorial de Campo Maior.
A ANEPC emitiu uma nota de pesar nas suas redes sociais, indicando que a operação de patrulhamento, reconhecimento e vigilância em que o bombeiro estava envolvido decorria na Estrada Nacional 373, numa zona de confluência com o rio Caia, em Campo Maior.
Contactado pela Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Campo Maior, Pedro Tomé, lamentou a morte do bombeiro da sua corporação, sublinhando que o pessoal ficou “em baixo”, com o ocorrido.
Pedro Tomé explicou que a morte deste bombeiro ocorreu no desenrolar de uma ação de patrulhamento e vigilância devido ao mau tempo, “e algo se passou, [ele] sentiu-se mal, algo deste género, e entrou numa linha de água”.
O comandante revelou ainda que, na sequência desta situação, já deu entrada na corporação uma equipa de psicólogos que vai acompanhar os restantes elementos da corporação.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.





