Manifestantes provocaram incêndios e danificaram edifícios em várias cidades francesas durante protestos contra o aumento do custo de vida e as condições nas escolas.
Em Paris, registaram-se confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes que se juntavam a uma marcha no âmbito da jornada nacional de protesto contra o aumento do custo de vida e em apoio às reivindicações dos estudantes do ensino secundário.
A polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar centenas de manifestantes encapuzados e mascarados que arremessavam petardos e outros objetos contra as forças de segurança na Praça da República, ao mesmo tempo que gritavam “Macron, demissão”. Para o local foi destacado um forte contingente do corpo de intervenção.
Por toda a França, milhares de pessoas responderam a apelos nas redes sociais para reativar o movimento dos “coletes amarelos”, que surgiu em 2018 contra a injustiça social.
Grupos de estudantes, em protesto desde meados de setembro através de bloqueios de escolas, apelaram aos seus apoiantes para se juntarem às ações.
A CGT, uma das principais centrais sindicais de França, também apoiou os protestos, exigindo “salários e pensões mais elevados, preços mais baixos e a salvaguarda de serviços públicos que respondam às necessidades da população”.
Segundo o gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, as autoridades registaram 140 ações de protesto fora da região de Paris até ao meio-dia, envolvendo mais de 30 mil pessoas.
As autoridades deram conta de pelo menos 166 detidos em todo o país.
O gabinete do ministro do Interior assinalou atos de violência praticados por indivíduos encapuzados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de pilhagem, agressões a agentes policiais, incêndios em mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e órgãos de comunicação social.
Na cidade portuária de Marselha, no sul do país, alguns estabelecimentos comerciais e uma esquadra da polícia municipal sofreram estragos, e manifestantes invadiram por momentos o átrio da Câmara Municipal.
Em declarações ao canal BFM, o presidente da Câmara de Marselha, Benoît Payan, indicou que foram registados “danos limitados”, ao falar no átrio da edilidade após a dispersão dos manifestantes pela polícia.
Na sexta-feira, o Presidente Emmanuel Macron reconheceu “o direito constitucional de protestar e de expressão”, mas fez um apelo à calma.
“Este direito exige respeito. Respeito pelas pessoas, respeito pelo património e, portanto, o compromisso de não insultar nem destruir”, disse.
A polícia proibiu outras concentrações previstas para o centro de Paris e determinou o encerramento de estações de metro durante o dia de hoje, incluindo as que se situam em redor dos Campos Elísios e nas proximidades do Palácio do Eliseu, do parlamento e de edifícios governamentais.
Nas últimas semanas, França registou milhares de detenções, centenas de feridos e escolas incendiadas, num início de ano letivo marcado por protestos estudantis à escala nacional que estão a condicionar a campanha para as eleições presenciais e a atrair as atenções internacionais.
Entre os manifestantes, registaram-se feridos graves que têm sido atribuídos a armas de controlo de multidões da polícia.
Laurent Nuñez suspendeu a utilização de um tipo de granada de atordoamento contra os jovens manifestantes, depois de um jovem de 15 anos ter perdido uma mão.
Na terça-feira, a ativista pela justiça climática e social Greta Thunberg juntou-se aos estudantes de uma escola secundária no subúrbio parisiense de Saint-Denis.














