O Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Macau anunciou hoje uma queda de 26,3% nos lucros líquidos em 2025, o segundo ano consecutivo em que os proveitos da instituição financeira encolheram.
De acordo com um comunicado, o banco registou lucros líquidos não auditado de 431,2 milhões de patacas (45 milhões de euros), menos 153,9 milhões de patacas (16,1 milhões de euros) do que em 2024.
O BNU já tinha registado uma queda de 0,4% nos proveitos em 2024.
O banco apontou como principal razão para a queda dos lucros uma redução de 13,9% (138 milhões de patacas ou 14,4 milhões de euros) na margem financeira líquida, a diferença entre receitas provenientes de empréstimos e juros pagos por depósitos.
O BNU disse que a margem financeira líquida encolheu, “impulsionada principalmente pela evolução das taxas de juro”.
Isto depois da Autoridade Monetária de Macau ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de dezembro, acompanhando em todos os casos a Reserva Federal norte-americana.
A redução na margem financeira líquida “foi parcialmente compensada” por um aumento de 2,3% nas comissões cobradas pelo banco, “refletindo um maior envolvimento dos clientes”.
O BNU indicou ainda que sofreu perdas de 30 milhões de patacas (3,13 milhões de euros) com crédito malparado e aplicações financeiras, menos 15,3% do que em 2024.
“Esta redução reflete a gestão prudente do risco e a qualidade estável dos ativos do banco, apoiada por práticas de crédito conservadoras e uma robusta margem de provisões mantida ao longo do ano”, garantiu a instituição.
“A posição de capital e liquidez do BNU permanece forte, apoiada por uma gestão financeira disciplinada e um robusto sistema de controlo de risco”, disse o banco.
O BNU tem sede em Macau e pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), sendo, juntamente com o Banco da China, emissor de moeda na região administrativa especial da China.
De acordo com dados oficiais, os bancos de Macau obtiveram lucros de 7,34 mil milhões de patacas (769 milhões de euros) em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7%).
O crédito malparado caiu 11,6% ao longo do ano passado para 49,7 mil milhões de patacas (5,2 mil milhões de euros). Foi a primeira vez queda anual dos empréstimos vencidos desde 2013.
Os empréstimos vencidos representavam 4,9% dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,6 pontos percentuais do que no final de 2024. Uma percentagem que sobe para 5,6% no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.
A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da UE, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos 5% dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema.
Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3% alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.













