Lídia Jorge apela à vigilância sobre Inteligência Artificial em defesa do pensamento humano

A escritora Lídia Jorge incitou hoje à vigilância sobre a Inteligência Artificial (IA), numa defesa do “pensamento autónomo e singular”, na sua intervenção durante a entrega do Prémio Pessoa 2025, em Lisboa, de que é a vencedora.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 10, 2026
20:37

A escritora Lídia Jorge incitou hoje à vigilância sobre a Inteligência Artificial (IA), numa defesa do “pensamento autónomo e singular”, na sua intervenção durante a entrega do Prémio Pessoa 2025, em Lisboa, de que é a vencedora.


Para a autora do romance “Misericórdia” (2022), “no mundo de hoje, decomposto, à beira do estado de alucinação”, a linguagem, a Poética, o pensamento são determinantes, tal como a vigilância sobre o poder das máquinas e da falsidade difícil de desmontar.


“A IA generativa imita, e a imitação pode passar por uma invenção emotiva saída de uma entidade que não experimenta emoção”, afirmou. A IA “não tem nem aflição, nem espanto, nem dor, nem raiva, nem alegria, nem pranto”, apenas “fornece linguagem como se os tivesse”.


Assiste-se assim, defendeu a escritora numa intervenção em que evocou a importância de Fernando Pessoa, da sua obra e dos seus heterónimos, “a um corte epistemológico entre o criador e a criatura”.


Por isso, para Lídia Jorge, “em nome do futuro, convém ficar vigilante”.


“Provavelmente, estaremos à beira de obter benefícios fantásticos para as nossas vidas, mas convém perceber se o nosso pensamento autónomo e singular não será aniquilado de todo, no meio da inundação de benefícios. A nossa esperança é de que a linguagem, que na mitologia cristã nos funda como início, não tenha fim enquanto formos donos dela”, advertiu.


No início do seu discurso, Lídia Jorge, que desde 2021 é conselheira de Estado, agradeceu a presença do Presidente da República na cerimónia, que considerou um presente a si mesma.


Dirigindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou: “Chamam-lhe o Presidente dos afetos, mas é pouco. O senhor foi e continua a ser o Presidente que soube explicar a engrenagem da Democracia ao povo. E esse é um legado extraordinário”.


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