A Kaspersky afirma que a Inteligência Artificial (IA) está a transformar a forma como o público compra bilhetes, vê filmes e interage com jogos, mas, ao mesmo tempo, está a potenciar as capacidades dos cibercriminosos. A automatização e a criação de conteúdos tornam o setor do entretenimento especialmente vulnerável.
Os investigadores da empresa de cibersegurança identificaram cinco ameaças críticas que surgem à medida que a IA ganha mais importância nos fluxos de trabalho da indústria do entretenimento e nas experiências dos consumidores.
A corrida entre algoritmos e especuladores nos mercados de bilhetes
A IA vai permitir que revendedores ajustem preços muito rapidamente, encontrando oportunidades de lucro e mudando valores, de acordo com a procura. Mesmo quando os artistas definem preços fixos, estes sistemas conseguem criar aumentos dinâmicos nos mercados de revenda.
Efeitos visuais com IA e o aumento do risco de fugas
A produção de efeitos visuais é outro ponto crítico: com a expansão de plataformas de IA na cloud, os estúdios recorrem cada vez mais a fornecedores externos, aumentando o risco de ataques à cadeia de fornecimento e de fugas de conteúdos antes da estreia.
Redes de distribuição de conteúdos (CDNs) podem tornar-se um alvo direto
As CDNs concentram grande quantidade de conteúdos valiosos — como episódios inéditos, jogos e transmissões em direto — e, por isso, são alvos apetecíveis. Com o apoio de IA avançada, os atacantes podem mapear melhor essa infraestrutura, localizar conteúdos premium e explorar falhas ou credenciais fracas, permitindo que um único ataque comprometa vários títulos ao mesmo tempo.
Riscos e abusos de IA generativa em jogos e comunidades de fãs
Jogadores e utilizadores experientes poderão continuar a usar modelos de IA externos para gerar conteúdos que os jogos normalmente bloqueiam, como, por exemplo, cenas muito violentas, e voltar a inseri‑los em mods ou vídeos de fãs. Além disso, existe o risco de informações pessoais aparecerem nesses conteúdos gerados caso os dados usados para treinar a IA não sejam bem filtrados, levando a que nomes reais ou outros detalhes identificáveis surjam inadvertidamente.
A regulamentação e conformidade da IA no trabalho criativo
Legisladores e entidades do setor estão a criar regras que exigem mais transparência sobre conteúdos gerados por IA e maior rigor no uso de material protegido por direitos de autor no treino de modelos. Para a Kaspersky, isso deverá levar as empresas de entretenimento a criar novos cargos dedicados à governação da IA, responsáveis por supervisionar o treino das ferramentas, assim como o seu uso na produção e no marketing e no cumprimento das normas legais e contratuais.
Assim, a empresa de cibersegurança conclui que as empresas de entretenimento devem reforçar a sua resiliência digital, começando por mapear o uso de IA em todas as fases do negócio e integrá-lo na avaliação de riscos. Para além disso, devem fortalecer a segurança dos fornecedores que utilizam ferramentas baseadas na cloud, assim como melhorar a proteção das CDNs e, por fim, realizar auditorias de segurança e privacidade das implementações de IA generativa em jogos, marketing e serviços direcionados a fãs.
















