Habitação em Portugal entra em zona crítica nas principais cidades

Cidades mais afetadas pelo elevado custo da habitação incluem Funchal, onde a taxa de esforço no arrendamento atinge 100%, seguida de Faro (93%) e Lisboa (83%)

Executive Digest com ComparaJá.pt
Novembro 20, 2025
21:30

Em Portugal, arrendar ou comprar casa continua a pesar significativamente no orçamento das famílias. Dados recentes do idealista mostram que, no terceiro trimestre de 2025, os portugueses destinaram, em média, 83% do rendimento líquido para arrendar e 70% para pagar a habitação com crédito habitação.

“A habitação continua a consumir grande parte do rendimento familiar, tornando cada vez mais difícil para muitas famílias arrendar ou comprar casa”, alerta Pedro Castro, Head of Operations e Crédito Habitação no ComparaJá.

As cidades mais afetadas pelo elevado custo da habitação incluem Funchal, onde a taxa de esforço no arrendamento atinge 100%, seguida de Faro (93%) e Lisboa (83%). No caso da compra, Lisboa lidera com uma taxa de esforço de 111%, seguida de Funchal (99%) e Faro (93%). Por outro lado, regiões do interior, como Bragança, Beja e Castelo Branco, apresentam taxas bem mais baixas, entre 18% e 28%.

Segundo a metodologia do estudo, a taxa de esforço corresponde à percentagem do rendimento líquido médio que a família destina à habitação. No caso do arrendamento, os valores das rendas foram retirados do próprio portal idealista, enquanto os rendimentos médios vêm do Instituto Nacional de Estatística (INE). Para a compra de casa, as prestações médias de crédito habitação consideram as atuais taxas de juro, de acordo com o Banco Central Europeu (BCE).

A pressão sobre as famílias portuguesas reflete também a escassez de habitação acessível no mercado. Analistas alertam que, sem políticas de aumento da oferta, a taxa de esforço continuará a subir, especialmente nas zonas urbanas mais populosas.
“É urgente criar soluções habitacionais que permitam aos portugueses viver com dignidade, sem comprometer todo o seu rendimento na habitação”, defende Pedro Castro.

O problema não é recente: já no início de 2025, estudos de mercado apontavam para o aumento da taxa de esforço no arrendamento como uma das maiores preocupações das famílias portuguesas, sinalizando uma tendência de pressão contínua sobre os rendimentos familiares.

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