“Há um caminho a percorrer para garantir que os ambientes de trabalho acolhem verdadeiramente todas as pessoas”, diz Rita Mexia

As organizações que ajustam políticas, processos e ambientes de trabalho às necessidades de colaboradores neurodivergentes, apresentam níveis superiores de criatividade, engagement e retenção de talento.

André Manuel Mendes
Novembro 20, 2025
9:20

As organizações que ajustam políticas, processos e ambientes de trabalho às necessidades de colaboradores neurodivergentes, apresentam níveis superiores de criatividade, engagement e retenção de talento. Esta é a principal conclusão de um novo estudo da Gi Group Holding.

O conceito de neurodiversidade descreve as diferentes formas como o cérebro humano processa informação, integrando condições como autismo, PHDA, dislexia ou síndrome de Tourette. Segundo o estudo, estas particularidades não representam limitações, mas sim novas perspetivas e competências que podem impulsionar o desempenho das equipas.

Dados internacionais reforçam a relevância do tema: a Organização Mundial da Saúde estima que as perturbações do espetro do autismo afetam cerca de uma em cada 100 pessoas, enquanto a Gallup aponta que entre 10% e 20% da população global é neurodivergente. Para a Gi Group Holding, estes números tornam imprescindível que as empresas desenvolvam ambientes de trabalho mais inclusivos e ajustados à diversidade cognitiva.

“Falamos de inclusão, mas ainda há um caminho a percorrer para garantir que os ambientes de trabalho acolhem verdadeiramente todas as pessoas. A neurodiversidade não deve ser vista como um desafio, mas como uma oportunidade para inovar na forma como colaboramos e gerimos equipas”, afirma Rita Mexia, Executive Manager Healthcare & Life Sciences , DE&I and Volunteeringda Gi Group.

No âmbito do estudo, a Gi Group Holding identificou cinco práticas essenciais para promover a inclusão. Entre elas, destaca-se o design inclusivo dos espaços físicos, com zonas de silêncio, iluminação regulável e áreas de descanso que ajudam a reduzir estímulos excessivos e a melhorar a concentração. A flexibilidade e a personalização dos horários, rotinas e modelos de trabalho surgem igualmente como fatores determinantes para o bem-estar e o desempenho individual.

A formação e sensibilização das equipas é outra das recomendações, permitindo que líderes e colegas desenvolvam maior consciência sobre as diferentes formas de processamento e comunicação. Paralelamente, a adaptação dos processos de recrutamento, através de entrevistas menos convencionais ou avaliações práticas, contribui para eliminar barreiras injustas. Por fim, reforça-se a importância de uma cultura organizacional de inclusão contínua, na qual a diversidade cognitiva seja integrada de forma estruturada e estratégica, e não tratada como uma iniciativa isolada.

“A neurodiversidade é uma força para o futuro do trabalho. Quando as empresas reconhecem e adaptam práticas para acolher todos os perfis, criam equipas mais criativas, resilientes e preparadas para inovar”, conclui Rita Mexia.

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