Guerra na Ucrânia faz disparar preços das baterias de veículos elétricos

Antes da invasão da Ucrânia por parte da Rússia, a aposta das empresas automobilísticas na indústria dos veículos elétricos contava com uma queda dos preços do fabrico de baterias, mas as tensões geopolíticas vieram alterar todas essas previsões.

Mariana da Silva Godinho
Abril 4, 2022
17:15

Antes da invasão da Ucrânia por parte da Rússia, a aposta das empresas automobilísticas na indústria dos veículos elétricos contava com uma queda dos preços do fabrico de baterias, mas as tensões geopolíticas vieram alterar todas essas previsões.

Durante vários anos, os dados do setor mostraram que essas previsões estavam corretas, pois os custos dos primeiros modelos de baterias que apareceram há mais de 10 anos caíram de 1.000 dólares por KWH para cerca de 130 dólares em 2021, segundo o ‘Financial Times’.

Mesmo antes de Vladimir Putin ter decidido atacar o país vizinho, as matérias-primas essenciais para o fabrico de baterias – o níquel, o lítio e o cobalto – já estavam a aumentar e apenas pelo facto de a Rússia produzir 11% do níquel em termos mundiais levou a uma subida ainda mais acentuada destas commodities.

Segundo dados da Farasis Energy a que a publicação teve acesso, para o fabrico de uma bateria de 60 kWh, que necessita das três matérias-primas, aumentou de 1.395 dólares no ano passado para 7.400 dólares no início de março deste ano.

Este aumento acentuado prejudica as perspetivas de lucros das fabricantes de veículos elétricos.

“Neste momento, os preços das matérias-primas são um fardo para a nossa meta de reduzir os custos das baterias”, disse o diretor financeiro da Audi, Jürgen Rittersberger, em declarações ao ‘Financial Times’. A Audi prometeu o lançamento de carros elétricos apenas com bateria já a partir de 2026.

No entanto, a publicação explica que os executivos das empresas de automóveis europeias ainda não estão a alertar para estes aumentos dos preços das baterias aquando dos lançamentos dos novos veículos elétricos porque esta não é uma subida isolada. Os materiais necessários para o fabrico de carros com motor, como por exemplo o alumínio, o aço e o cobre, também estão a aumentar.

“Seria prematuro fazer qualquer previsão sobre um impacto mais duradouro e estruturado em nossas cadeias de suprimentos neste momento”, acrescentou o chefe de sustentabilidade da BMW, Thomas Becker, também em declarações à publicação.

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