E se a inteligência artificial atacasse os bancos? G7 prepara simulações para testar a resistência do sistema financeiro

Os ministros das Finanças do G7 acordaram realizar exercícios de simulação para testar a capacidade de resposta a ciberataques impulsionados pela inteligência artificial (IA).

Pedro Zagacho Gonçalves

Os ministros das Finanças do G7 acordaram realizar exercícios de simulação para testar a capacidade de resposta a ciberataques impulsionados pela inteligência artificial (IA). O anúncio foi feito pela ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, depois de uma reunião dos ministros das Finanças e dos governadores dos bancos centrais das sete economias avançadas, realizada à margem dos encontros anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Banguecoque, na Tailândia. A iniciativa pretende reforçar a coordenação entre as autoridades perante os riscos crescentes para a cibersegurança associados ao desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial cada vez mais avançados.

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Katayama explicou que a proposta tinha sido discutida previamente pelos vice-ministros das Finanças do G7 e recebeu agora aprovação ao nível ministerial. «Os vice-ministros das Finanças do G7 tinham estado a discutir a ideia de realizar exercícios de simulação sobre inteligência artificial de ponta, que foi aprovada ao nível ministerial», afirmou aos jornalistas na quinta-feira. O plano prevê a criação de cenários simulados pelas autoridades financeiras dos países do grupo, com o objetivo de avaliar como reagiriam perante ataques informáticos conduzidos ou potenciados por sistemas de IA.

Segundo um responsável do Ministério das Finanças japonês que participou na reunião, os exercícios servirão para verificar a eficácia dos protocolos de resposta atualmente existentes e identificar eventuais falhas. Os resultados serão utilizados para rever os manuais e melhorar os procedimentos destinados a enfrentar este tipo de incidente. A participação poderá abranger não só os ministérios das Finanças e os bancos centrais dos países do G7, mas também instituições financeiras privadas, dependendo da natureza dos cenários escolhidos para as simulações.

A decisão surge num contexto de crescente preocupação com o impacto da inteligência artificial na estabilidade financeira internacional. Esta semana, o FMI alertou para o risco de um ciberataque facilitado pela IA contra um serviço crítico de uma instituição financeira poder abalar a confiança no sistema. A possibilidade de ataques mais sofisticados contra bancos e outras entidades financeiras está a levar os reguladores a intensificar a vigilância sobre os riscos tecnológicos, incluindo a ameaça de agentes autónomos ou sistemas de IA que possam comprometer a segurança das instituições e a estabilidade dos mercados globais.

O Banco de Inglaterra também está a reforçar a preparação neste domínio. Na quinta-feira, o vice-governador da instituição afirmou que os bancos já não podem partir do princípio de que as suas defesas estão protegidas contra ciberataques potenciados pela inteligência artificial. A instituição está a trabalhar com os bancos em soluções de recuperação cibernética mais robustas, destinadas a permitir a reposição de sistemas e operações após incidentes graves. A iniciativa do G7 enquadra-se, assim, num esforço mais amplo das autoridades financeiras para testar mecanismos de defesa, melhorar a capacidade de recuperação e limitar as consequências de ataques informáticos num setor essencial para a economia mundial.

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