– O chefe da diplomacia francesa afirmou hoje que pondera “todas as opções” sobre a continuidade do mandato do presidente do Instituto do Mundo Árabe, após ter sido convocado para prestar declarações sobre o seu envolvimento no caso Epstein.
“A minha prioridade é, obviamente, garantir o bom funcionamento, a continuidade e a integridade do Instituto do Mundo Árabe”, disse Jean-Noel Barrot a partir de Beirute, capital do Líbano.
O presidente do instituto, Jack Lang, “será recebido no domingo, assim que regressar a Paris, e reservo-me todas as opções no que diz respeito à continuação do seu mandato”, acrescentou.
O antigo ministro francês Jack Lang e presidente, desde 2013, do Instituto do Mundo Árabe (IMA), foi convocado e terá de explicar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros francês as suas ligações ao criminoso sexual norte-americano Jefrey Epstein.
Barrot salientou que “os primeiros elementos que emergem destes processos são inéditos e de extrema gravidade” e “exigem um trabalho de investigação rigoroso e aprofundado”.
Apesar das pressões para se demitir da liderança do reconhecido instituto, Jack Lang tem recusado deixar o cargo, citando a sua “ingenuidade” perante as revelações sobre os seus laços passados com Jeffrey Epstein, com a publicação de milhões de documentos a 30 de janeiro pelo sistema judicial norte-americano.
O executivo francês disse na quinta-feira à noite que deveria “pensar na instituição”.
O instituto recebe uma subvenção anual de 12,3 milhões de euros do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, metade do orçamento do organismo.
Depois de declarar na segunda-feira que “assume plenamente laços passados” com milionário norte-americano, Jack Lang assegurou na quarta-feira que nada sabia do passado criminoso deste homem quando o conheceu “há cerca de 15 anos” através do realizador Woody Allen.
Não existem acusações contra Jack Lang e a sua presença nestes três milhões de documentos não implica qualquer irregularidade da sua parte.
Mas a menção do nome do antigo ministro francês por 673 vezes e os seus laços de interesse com o Epstein tiveram impacto, incluindo para a sua filha Caroline, que no início da semana se demitiu do cargo de presidente de um sindicato de produtores de cinema após revelações sobre uma empresa “offshore” que fundou em 2016 com o empresário norte-americano.
Nas fileiras políticas, os apelos à saída de Jack Lang continuam a multiplicar-se, inclusive no seu próprio campo, nomeadamente dos Verdes e dos socialistas.
Os documentos, divulgados pelas autoridades dos Estados Unidos, resultam da investigação ao empresário norte-americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais envolvendo uma menor.
Epstein morreu numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos Estados Unidos de ter abusado sexualmente de dezenas de mulheres, incluindo menores.



