“Foi humilhante”: Mulher com deficiência motora obrigada a rastejar num avião

Entretanto, um porta-voz da companhia Jetstar contactou Natalie e pediu desculpa pelo sucedido, defendendo que o uso da cadeira de rodas especial não lhe foi negado devido à falta de um pagamento, mas sim devido a um problema de organização e a um mal-entendido com a tripulação.

Pedro Gonçalves
Outubro 31, 2022
16:10

Uma mulher com uma deficiência motora, que a obriga a deslocar-se de cadeira de rodas, acusa a companhia aérea australiana Jetstar de a ter humilhado após afirmar ter sido obrigada a “rastejar” para sair do avião em que seguia.

Natalie Curtis estava num voo que saiu de Singapura em direção a Bangkok, onde se deu o episódio.

Em entrevista ao programa Sunrise, Natalie conta que a companhia lhe tinha oferecido uma cadeira de rodas especifica para circular no corredor da aeronave, quando foi altura de embarcar. Mas, ao aterrar no destino, foi dito à mulher que teria de pagar a utilização da mesma cadeira para poder sair do avião.

“Eu nem acreditei no que me estavam a pedir. E disse-lhes: ‘Não, eu não vou pagar para poder sair deste avião”, contou aos apresentadores do programa. Sem que lhe fosse dada alternativa, a mulher foi obrigada a deitar-se no chão e arrastar-se até à parte frontal da cabine, onde estava a sua cadeira de rodas. “Foi extremamente humilhante”, revela Natalie Curtis.

A australiana estava a viajar com uma amiga, Natasha Elford, que se viu impotente para ajudar Natalie, já que sofre de uma lesão no joelho e não a conseguia levar ao colo para fora do avião da Jetstar. “Fiquei desolada. Não acreditava que aquilo estava mesmo a acontecer. Fisicamente, era-me impossível levantar a Natalie. Ficámos sem qualquer esperança”, conta.

As duas amigas acusam ainda a tripulação daquele voo de “nada ter feito” para as ajudar.

Entretanto, um porta-voz da companhia Jetstar contactou Natalie e pediu desculpa pelo sucedido, defendendo que o uso da cadeira de rodas especial não lhe foi negado devido à falta de um pagamento, mas sim devido a um problema de organização e a um mal-entendido com a tripulação.

“Pedimos muitas desculpas à Sr.ª Curtis, pela experiência que teve ao viajar connosco. Comprometemo-nos com uma experiência de viagem segura e confortável para todos os nossos clientes, incluindo aqueles que precisem de apoio específico. Lamentavelmente este não foi o caso, depois de um erro de comunicação que causou um atraso na disponibilização de uma cadeira de rodas, para circular no corredor do avião, na chegada. Estamos a apurar o que se passou com urgência”, explica a companhia.

“Em nenhum momento foi condicionado o uso da cadeira de rodas mediante um pedido de pagamento. A nossa equipa de apoio ao cliente contactou a Sr.ª Curtis para perceber melhor o que se passou e para a reembolsar pelo valor pago pelo voo, bem como para lhe garantir compensação adicional”, continua a Jetstar, acrescentando que a investigação preliminar interna ao episódio revelou que houve “um problema devido a barreiras linguísticas”, que levou a “um mal-entendido” sobre o suposto pagamento para uso da cadeira de rodas a bordo do avião.

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