As exportações portuguesas de têxteis e vestuário caíram 0,8% para 5.499 milhões de euros em 2025 face a 2024, destacando o setor que, “apesar das dificuldades”, manteve “volumes relativamente estáveis, ainda que com pressão sobre o valor”.
“Os dados das exportações relativos a 2025 mostram que, apesar das dificuldades, o setor tem revelado resiliência em termos globais”, afirmou a diretora-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Ana Dinis, em declarações à agência Lusa.
Segundo destacou, “as exportações mantiveram volumes relativamente estáveis”, tendo aumentado 0,3%, “ainda que com pressão sobre o valor, refletindo ajustamentos de preços e de ‘mix’ de produto num contexto de procura mais frágil”.
Por segmentos, e de acordo com dados ainda provisórios do Instituto Nacional de Estatística (INE), o vestuário recuou 0,3% em valor, para 3.178,2 milhões de euros, enquanto as matérias têxteis caíram 1,9%, para 1.462 milhões de euros, e os têxteis lar e outros artefactos têxteis confecionados caíram 0,7% para 858,9 milhões de euros.
Espanha, França e Alemanha mantiveram-se como os principais destinos do têxtil e vestuário português, com o mercado espanhol praticamente estável face a 2024 (+0,1% para 1.318 milhões de euros), enquanto o francês e o alemão se contraíram, respetivamente 1,4% e 2,1%, para 834 e 461 milhões de euros.
Em quebra estiveram também as vendas para os quarto e quinto mercados do setor – os EUA e o Reino Unido, que recuaram ambos 3,3%, respetivamente para 420 e 337 milhões de euros -, mas o recuo mais acentuado registou-se nas exportações para Itália, que diminuíram 13% (-47 milhões de euros) para 312 milhões de euros.
À Lusa, a diretora-geral da ATP destacou que “as dificuldades sentidas pela indústria têxtil e do vestuário em Portugal estão fortemente influenciadas pelas dinâmicas de consumo a nível europeu, o principal mercado do setor”.
Segundo explicou, estas dinâmicas estão atualmente a ser “marcadas por alterações nos padrões de comportamento dos consumidores e pela crescente penetração de plataformas de comércio eletrónico que promovem produtos de muito baixo preço, baixa qualidade e reduzida responsabilidade social e ambiental”.
“Esta realidade levanta questões relevantes sobre a repartição de responsabilidades ao longo da cadeia de valor e sobre a necessidade de uma maior responsabilização das plataformas e dos modelos de consumo, sob pena de se ir destruindo uma indústria europeia que investe em qualidade, conformidade e sustentabilidade”, alertou Ana Dinis.
A dirigente associativa enfatiza que “os ganhos ambientais alcançados pela indústria ao longo dos últimos anos acabam por ser, em parte, neutralizados por modelos de consumo assentes na rápida rotatividade de produtos de baixo valor e curta duração, colocando desafios à eficácia global das políticas ambientais e à competitividade industrial”.
No que respeita às medidas de apoio que o setor tem vindo a reclamar para fazer face à conjuntura, a ATP afirma que “não foram adotadas respostas extraordinárias ou específicas” dirigidas à indústria têxtil e do vestuário.
“Os instrumentos disponíveis são de natureza transversal e, em muitos casos, pouco ajustados a quebras de procura de curto prazo”, lamentou.
Questionada pela Lusa sobre dados divulgados na terça-feira pela Informa D&B – que apontam que das 596 empresas que fecharam em janeiro em Portugal se destacaram as indústrias de têxtil e moda, com 44 encerramentos –, Ana Dinis advertiu que “devem ser analisados com enquadramento”.
“O setor integra cerca de 12.000 empresas, muitas de pequena dimensão, pelo que existe alguma dinâmica normal de ajustamento”, sustentou, considerando que “o número de encerramentos, por si só, não permite concluir sobre um agravamento estrutural da situação do setor, sobretudo sem informação adicional sobre a efetiva atividade dessas empresas, o número de trabalhadores envolvidos ou o seu peso económico”.




