– O embaixador norte-americano na Polónia anunciou que os Estados Unidos deixarão de ter “qualquer contacto, relação ou comunicação” com o presidente da Câmara Baixa do parlamento polaco, por alegados “insultos ultrajantes e gratuitos” deste ao Presidente Donald Trump.
O embaixador Tom Rose não especificou quais seriam os alegados insultos, mas o visado, Wlodzimierz Czarzasty, declarou na segunda-feira que não apoiaria uma iniciativa dos seus homólogos israelita e norte-americano para nomear Trump para o Prémio Nobel da Paz.
Trump “representa a política de poder e, pelo uso da força, pratica uma política transacional”, justificou.
Isto significa muitas vezes “violar o direito internacional”, acrescentou o político polaco, um dos líderes de um partido de esquerda do governo liberal liderado por Donald Tusk.
Criticou ainda Trump por não reconhecer suficientemente o papel desempenhado pelos soldados polacos nas missões militares norte-americanas e pelo “tratamento instrumental de outros territórios”, como a Gronelândia.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, respondeu prontamente ao anúncio de Rose.
“Senhor Embaixador Rose, os aliados devem respeitar-se, e não repreender-se”, escreveu Tusk na tarde de quinta-feira.
Rose respondeu ainda a Tusk que, apesar de o próprio primeiro-ministro polaco ser “um aliado exemplar e um grande amigo dos Estados Unidos”, os comentários de Czarzasty “eram potencialmente prejudiciais para o seu governo”.
Insultar Trump, “o maior amigo que a Polónia já teve na Casa Branca”, era “a última coisa” que um líder polaco deveria fazer, alertou Rose.
Desde que Trump chegou ao poder, a Polónia tem-se esforçado por equilibrar a defesa dos seus aliados europeus com a preocupação de não desagradar ao seu aliado mais poderoso, os Estados Unidos, de que depende a paz na vizinha Ucrânia.
Para o efeito, Varsóvia tem delegado as questões da União Europeia em Tusk, enquanto o Presidente Karol Nawrocki, que chegou ao poder apoiado pelo partido de oposição nacional-conservador Lei e Justiça, mantém boas relações com Trump.
Trump apoiou Nawrocki durante a campanha presidencial do ano passado e recebeu-o na Casa Branca logo após a tomada de posse, em setembro.
Quando os dois presidentes se encontraram lado a lado na Casa Branca, Trump declarou que não pretende retirar as tropas norte-americanas da Polónia, um sinal de apoio a Nawrocki, admitindo mesmo “colocar mais tropas” neste país, caso Varsóvia desejasse.
PDF // RBF
Lusa/Fim











