Este ano é que vai ser

Opinião de Pedro Alvito, Professor de Política de Empresa na AESE Business School

Executive Digest

 

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O dinheiro e o “eu” são, quando elevados ao expoente máximo da procura do ser humano, dos maiores males da nossa sociedade. Se formos ver bem, os males do mundo de hoje ou são por causa do dinheiro, ou por causa do ego dos governantes do mundo atual e também do ego de cada um de nós. Excluo aqui (ou melhor incluo) as questões, ditas religiosas, porque grande parte dos males que daí advêm no mundo, no fundo, têm por trás questões de dinheiro ou de alguns se acharem superiores aos outros.

Acredito sem reservas que quando o ser humano tem como único objetivo na vida o seu interesse pessoal, nada daí pode advir de bom. Da mesma forma se o interesse de alguém tiver como único propósito o dinheiro, decerto que dificilmente algo de bom virá também daí.

O ser humano só faz sentido em comunidade e para haver comunidade, no pleno sentido da palavra, tem de haver comunicação, senão somos ilhas num oceano sem água. Nesse sentido, o bem dos outros resulta forçosamente num bem também para mim, porque nos tornamos melhores e mais completos. O ser humano completa-se em comunidade e trabalhando em prol da comunidade, porque fora disto só existe isolamento e retrocesso social. Da mesma forma a economia só progride quando vários procuram atingir e trabalham no sentido de alcançar um determinado fim.

Tudo o que acabei de explicar parece uma verdade de La Palice mas, quão distante o mundo atual – na política, entre as nações, na nossa sociedade local, nas nossas empresas e até nas nossas famílias-, está destas definições óbvias, porque intrínsecas à bondade dos seres humanos. Assusta mesmo que, entre grandes nações, se faça política assim, contrariando os interesses dos povos e tornando os poderosos cada vez mais ricos, pela corrupção e por tudo aquilo que de mau o nosso mundo tem e a humanidade é capaz de fazer.

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Talvez seja difícil para nós, no nosso cantinho, mudar a forma de pensar de um presidente de uma grande potência mundial ou de uma grande empresa multinacional ou mesmo nacional. Mas se calhar podemos não despedir uma mulher só porque foi mãe, ou até, evitar que o ódio prolifere à nossa volta com incitações sem sentido, ou ainda, pensarmos um pouco mais no outro que trabalha connosco, ou para nós, e percebermos as razões do seu sofrimento.

Falamos tanto nas nossas empresas em diversidade, em sustentabilidade, em ambiente, mas fazemos isso para dentro, preocupando-nos com os nossos funcionários, clientes e fornecedores ou somente por marketing e moda?

“Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, (Mateus 6:21) e o problema é exatamente esse. O nosso tesouro somos nós? É o dinheiro para o qual vivemos e fazemos tudo sem olhar a meios? Gostava de acreditar que este ano é que vai ser, mas para isso é preciso mudar e mudar custa. Mas mudar é preciso.

 

 

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