Equilíbrio entre vida pessoal e profissional já vale mais que o salário para os portugueses, revela estudo da Randstad

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional tornou-se o principal fator para a retenção de talento em Portugal, ultrapassando a remuneração, revela o Workmonitor 2026 da Randstad.

André Manuel Mendes
Janeiro 20, 2026
11:09

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional tornou-se o principal fator para a retenção de talento em Portugal, ultrapassando a remuneração, revela o Workmonitor 2026 da Randstad.

O estudo, que envolveu 26.000 profissionais em 35 mercados, evidencia um mercado de trabalho em plena transformação, marcado pela autonomia, flexibilidade e adaptação à Inteligência Artificial (IA).

Segundo os dados, 51% dos profissionais permanecem nos seus empregos atuais devido ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, enquanto apenas 23% citam o salário e 22% a segurança no emprego. Além disso, metade dos talentos já abandonou funções por falta de autonomia, e mais de 40% rejeitaria uma nova oferta sem flexibilidade de horário ou local.

No recrutamento, o salário continua a ser um fator relevante (87%), mas a flexibilidade ganha peso: 42% não aceitariam um novo emprego sem possibilidade de trabalho remoto e 41% recusariam funções sem horários adaptáveis. Entre a Geração Z, 67% prefere traçar o seu próprio percurso em vez de seguir hierarquias tradicionais.

O estudo revela também que 65% dos profissionais têm uma relação sólida com o seu gestor direto, enquanto 73% confiam nos colegas. A diversidade é apontada como motor de produtividade: 84% afirmam ser mais eficazes quando colaboram com diferentes perspetivas e 78% beneficiam da interação com várias gerações.

Apesar de a diversidade ser valorizada pelas empresas portuguesas, 90% dos empregadores consideram que o trabalho remoto ou híbrido tornou a colaboração mais desafiante. Em contrapartida, 70% dos profissionais procuram mais pontos de contacto com a empresa devido à incerteza no mercado, e 68% estão mais dispostos a colaborar se os líderes também o fizerem.

No campo tecnológico, 89% das empresas portuguesas planeiam reforçar o uso da IA nos próximos 12 meses, mas apenas metade dos profissionais sente ter as competências necessárias para acompanhar a tecnologia. Embora 60% do talento e 70% dos empregadores reconheçam o impacto positivo da IA na produtividade, 44% dos trabalhadores acreditam que os maiores benefícios serão para as empresas.

Face a este cenário, 72% dos profissionais consideram essencial atualizar as suas competências, enquanto 65% das empresas valorizam a agilidade nas novas contratações. Muitos trabalhadores receiam que funções de entrada possam desaparecer nos próximos cinco anos devido à automação.

“O mercado de trabalho atravessa um momento de pressão e transformação profunda. A IA não deve ser vista como uma ameaça de substituição, mas como uma ferramenta de aumento de tarefas, permitindo que as pessoas se foquem em funções onde o toque humano é insubstituível”, refere Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad. “O sucesso das organizações dependerá da sua capacidade de oferecer a autonomia que o talento exige e de promover uma colaboração geracional eficaz”.

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