Em tempo de ‘guerra’ questionam-se decisões: Serão os bloqueios mais perigosos do que o próprio vírus?

Numa altura em que muitos países começam a desconfinar, depois de meses de bloqueios, questiona-se agora se o ‘lockdown’ a que os territórios foram sujeitos pode ser mais perigoso do que o próprio vírus.

Simone Silva
Junho 6, 2020
12:59

Numa altura em que muitos países começam a desconfinar, depois de meses de bloqueios, questiona-se agora se o ‘lockdown’ a que os territórios foram sujeitos pode ser mais perigoso do que o próprio vírus. Contudo os especialistas defendem que os argumentos não são convincentes, avança a ‘CNN’.

A questão é levantada por alguns líderes mundiais que consideram que as dificuldades económicas e sociais causadas pelas restrições do novo coronavírus, impõem agora uma carga mais pesada à sociedade do que a taxa de mortalidade causada pela doença, como é o exemplo da perda de milhões de empregos nos Estados Unidos, numa crise nunca antes vista.

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, partilham desta visão. No final de Março, Trump disse à Fox News: «Vamos perder ainda mais pessoas e colocar um país numa recessão ou depressão profunda», referiu. Por sua vez, Bolsonaro, defende que a estagnação económica vai prejudicar o Brasil mais do que o próprio vírus, alertando para a possibilidade de acontecer «uma terrível desgraça».

Contudo, os especialistas não acreditam nestes argumentos, dizendo mesmo que não são convincentes. Segundo dados de estudos recentes, a economia dos EUA já estava em desaceleração mesmo antes de os estados exigirem políticas de confinamento. O medo do vírus levou a que as pessoas comprassem menos, com a pequenas empresas a encerrar e a cortar empregos.

«Nenhum de nós (economistas) tem informações suficientes para saber se os bloqueios valem a pena ou não. Não estamos a trabalhar com informação perfeita ou até mesmo muita informação», disse Thomas Hale, professor de políticas públicas da Escola de Governo Blavatnik na Universidade de Oxford, citado pela ‘CNN’, não havendo por isso dados que comprovem que o bloqueio é mais mortal do que a doença.

Os especialistas consideram para combater a doença o melhor que podemos fazer é rastrear as provas existentes. «Não sabemos muito sobre a epidemiologia desta doença; não sabemos quanto tempo vai durar, como a economia vai reagir, são tudo grandes incógnitas. O melhor que podemos fazer é seguir as evidências que temos, comprometidos em acompanhar a ciência e actualizar as nossas estratégias», acrescentou Hale.

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