“Em 2026, o engenheiro de redes torna-se um estratega, e a IA passa a ser a base operacional”, explica o Managing Director da HPE Portugal

A forma como as empresas gerem as suas infraestruturas de rede vai sofrer uma mudança estrutural em 2026, impulsionada pela consolidação da inteligência artificial (IA) como elemento central das operações de TI.

André Manuel Mendes
Janeiro 14, 2026
9:49

A forma como as empresas gerem as suas infraestruturas de rede vai sofrer uma mudança estrutural em 2026, impulsionada pela consolidação da inteligência artificial (IA) como elemento central das operações de TI. Redes mais autónomas, decisões em tempo real e equipas mais ágeis marcarão a próxima fase da evolução tecnológica nas organizações.

“A próxima geração de especialistas não se limitará a configurar redes, mas irá trabalhar em parceria com copilotos de IA para gerir milhares de endpoints com a precisão de um único. Os engenheiros deixarão de passar o tempo a navegar em dashboards; a IA irá destacar insights, executar ações e orientar decisões através de interações em linguagem natural. Os profissionais mais eficazes serão aqueles que não só sabem configurar, mas também sabem ensinar e colaborar com a IA: moldando prompts, validando intenções e orquestrando automação à escala. Em 2026, o engenheiro de redes torna-se um estratega, e a IA passa a ser a base operacional”, explica Dennis Teixeira, Managing Director da HPE Portugal.

AIOps torna-se decisivo nas redes empresariais

Uma das mudanças mais relevantes será a crescente importância do AIOps, que passará a ser mais determinante do que os próprios standards de Wi-Fi. Em 2026, a operação multi-link, os canais mais largos e a latência determinística só atingirão todo o seu potencial quando a IA assumir decisões complexas sobre o espectro, impossíveis de executar manualmente em tempo útil.

Modelos de aprendizagem contínua irão prever congestionamentos, otimizar o comportamento de radiofrequência e ajustar a utilização dos canais em tempo real. Com isso, conceitos tradicionais como a afinação manual de SSIDs ou a escolha da “melhor banda” tenderão a perder relevância, dando lugar a uma gestão unificada da experiência, orientada pela intenção do utilizador.

LAN proativas e experiência antecipada

A maturidade da chamada IA agentic permitirá que as redes locais (LAN) deixem de ser apenas reativas para se tornarem motores proativos da experiência digital. Agentes de IA integrados em switches e pontos de acesso serão capazes de interpretar padrões de comportamento, antecipar necessidades de serviço e atuar antes de qualquer degradação ser percecionada pelos utilizadores.

Entre os exemplos apontados está a automatização total dos processos de RMA (Return Merchandise Authorization), com a deteção de falhas, validação, abertura do processo e envio de equipamento de substituição a ocorrerem sem intervenção humana.

Convergência full-stack como novo padrão

Em paralelo, 2026 marcará a afirmação definitiva da convergência full-stack. As empresas irão afastar-se de abordagens fragmentadas, exigindo um único enquadramento operacional que integre redes com fios, sem fios, WAN, computação e armazenamento. A orquestração via cloud e a automação nativa de IA passarão a garantir uma única fonte de verdade para desempenho, segurança, experiência e ciclo de vida tecnológico.

Esta lógica de integração estender-se-á também às operações de TI, com plataformas que unem observabilidade e gestão de servidores, armazenamento e aplicações, reforçando a necessidade de uma governação comum baseada em IA.

Talento de redes: menos operação, mais estratégia

Apesar do avanço da automação, a transformação não passará pela substituição dos engenheiros de redes, mas pela sua valorização. Copilotos conversacionais e assistentes agentic irão assumir a primeira linha de suporte, resolvendo incidentes de rotina, conflitos de políticas e deteção de anomalias, enquanto os profissionais se concentram em tarefas estratégicas e de maior impacto.

Em 2026, as arquiteturas vencedoras serão aquelas que funcionam como um único organismo digital. A IA irá unificá-las, a cloud irá viabilizá-las e as empresas escolherão os seus parceiros tecnológicos com base na capacidade de entregar uma experiência integrada, de ponta a ponta.

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