Educação – uma paixão a retomar

Por Fernando Neves de Almeida, Partner da Boyden

Em tempos, tivemos um primeiro ministro, hoje secretário geral da ONU, que dizia ter uma paixão pela educação. Já não me recordo bem do que ele mudou ou fez, mas, em meu entender, pôs na agenda de uma forma muito “pública” o tema da educação, que continua muito relevante e com um grande caminho de melhoria ainda pela frente.

Neste artigo, deixem-me falar do papel dos professores dos primeiros ciclos de ensino até à faculdade. Embora possa parecer pouco relevante para o que se passa em termos de aprendizagem nas escolas, o papel desempenhado pelos professores na passagem de conhecimento e valores morais aos nossos jovens é crucial. Os bons professores motivam, desenvolvem, ensinam valores; são, enfim, modelos que os nossos jovens seguem quando se sentem inspirados por eles. Infelizmente, o inverso desta frase é também verdadeiro; os maus professores são muito destrutivos. Mas o que é curioso, é que um mau professor hoje, nem sempre foi um mau professor, em alguns casos. Se calhar foi com o passar do tempo, com a diminuição do desafio, com a estagnação profissional e falta de avaliação e premiação, que um outrora bom professor se acomodou e ficou, não só menos bom profissional, como, por certo, mais infeliz. E todos sabemos o que traz essa infelicidade; menos boas experiências para os nossos filhos.

Se, de facto, estamos preocupados com o futuro do nosso país, temos de fazer renascer a paixão pela educação. Os nossos jovens de hoje vão ser aqueles que nos irão governar amanhã e quem urdirá o tecido económico de que nós precisamos forte e produtivo. Todo o investimento neles feito, se bem feito, terá um efeito multiplicador no futuro.

Mas a paixão pela educação tem de começar pela paixão pelos professores. São eles que conseguirão operar a mudança de que tanto necessitamos nas nossas escolas, em especial nas escolas públicas. Digo em especial nas escolas públicas, uma vez que as privadas têm instrumentos de gestão de recursos humanos mais adequados para fazer acontecer uma melhor gestão dos professores. E acreditem que existem diferenças.

Ser professor tem de ser uma carreira mais prestigiada, mais bem paga, só para alguns (os mais dotados e motivados), com uma evolução coerente ao longo da vida. A escola, a pública, neste caso, não pode ser maioritariamente composta por pessoas com mais de 50 anos, cansadas, muitas revoltadas com o sistema, mas presas nele por falta de alternativas. Enquanto não se alterarem os atores, por mais que se mude o guião, a peça nunca correrá bem.

Atenção, os professores atuais que não me interpretem mal. Muitos estou certo de que concordarão comigo e muitos serão excelentes. No entanto, se calhar, não em número suficiente, nem com a combinação de idades adequada para se fazer uma boa gestão do desempenho na área da educação.

Escolham-se os melhores, pague-se o suficiente para os atrair e manter e premeiem-se pelos resultados. Com esta receita, e boa gestão, estou em crer que os resultados na educação aparecerão.

E esta falta de atenção particular que os governos tem dado a esta área, torna a nossa sociedade mais injusta: perpetua diferenciação social. Quem tem dinheiro põe os filhos em colégios particulares que, muitos deles, são bem geridos. Quem não tem, sujeita-se à lotaria da escola pública. Pode correr bem, ou mal. Isto vai dar vantagem competitiva no acesso à formação superior aos filhos de quem mais tem.

É preciso fazer os jovens acreditarem, desde a mais tenra idade, que o esforço compensa e que uma vida feliz e plena será tanto melhor quanto mais conhecimento adquirirem e souberem utilizar. E para que eles acreditem, tem de gostar e/ou respeitar quem lho diz (porque por vezes os pais desvalorizam a importância da escola) e isso são os professores.

A minha homenagem a todos os que estão nesta linha, no sistema de educação.

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