E vão dois. Desapareceu outro jornalista chinês que publicava vídeos de Wuhan

Bin foi detido no domingo e, nesse mesmo dia, publicou um último vídeo em que apela à resistência dos cidadãos chineses. Desde então, está desaparecido. 

Executive Digest
Fevereiro 12, 2020
15:07

O jornalista Fang Bin começou a filmar a vida em Wuhan, o epicentro do novo coronavírus, na província de Hubei, na China, e desde então atraiu a atenção das autoridades. No primeiro dia de Fevereiro, depois de mostrar oito corpos numa carrinha funerária e de entrar num hospital e assistir à declaração de um óbito, Bin desapareceu, avança a “Quartz” (QZ).

O chinês recebeu a visita das autoridades em casa. Recusou abrir-lhes a portas, porque queriam medir-lhe a temperatura, até que quem estava do outro lado da porta a arrombou. Fang Bin levado para uma esquadra, onde foi acusado de receber financiamento estrangeiro e de publicar «rumores». «Detonaste a bomba nuclear. Em vez de mostrares o lado positivo, mostraste cadáveres», ter-lhe-ão dito, segundo o “The Washington Post”, que divulgou parte do diálogo entre Bin e as autoridades. 

Bin foi detido no domingo e, nesse mesmo dia, publicou um último vídeo em que apela à resistência dos cidadãos chineses. Desde então, está desaparecido. 

O vídeo – o tal em que Bin conta oito cadáveres e mostra o interior de um hospital – já tem mais de 250 mil visualizações.

Recorde-se que, à semelhança de Bin, também Chen Qiushi, outro dos jornalistas chineses destacados para realizar a cobertura do surto de coronavírus, não dá notícias há quatro dias. O jornalista chegou a Wuhan a 24 de Janeiro, um dia depois de a cidade ter sido sujeita a um bloqueio imposto pelo Estado para impedir que os cidadãos saíssem e, desta forma, conter a propagação do vírus.

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